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Ciclista trans Rachel McKinnon vence competição feminina mundial nos EUA

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A ciclista canadense Rachel McKinnon, mulher trans de 36 anos, venceu no último mês o mundial feminino de máster da UCI, em Los Angeles nos Estados Unidos. Ela levou medalha de ouro na categoria de 35 a 39 anos e bateu o recorde mundial por 10 minutos, até ser vencida por outra competidora. Ela também vem sendo alvo de transfobia.

A exemplo de outras atletas trans que conseguem destaque, Rachel passou a receber diversos questionamentos e ataques transfóbicos. A colunista britânica Katie Hopkins escreveu: “Este era o campeonato mundial de mulheres. Repito. De mulheres. Parabéns aos rostos corajosos de prata e bronze”.

A terceira colocada, a norte-americana Jennifer Wagner-Assali aproveitou a declaração para se posicionar contra a campeã: “Definitivamente, não é justo”, “o mundo está tomando por uma loucura febril”.

Rachel conta que teve consciência de que é uma mulher aos 13 anos, mas que só aos 30 conseguiu revelar ao mundo é mulher transexual. Ela passou pela hormonioterapia, realizou mudanças corporais e conquistou o direito legal se ser reconhecida como mulher. Hoje, ela atende todas as exigências do COI (Comitê Olímpico Internacional) e CAS (Comitê de Arbitragem do Esporte), bem como estar dentro das taxas hormonais.

Ela declara que o resultado foi motivado devido ao seu desempenho. “Eu treino de 15 a 20 horas por semana, 5 a 6 dias por semana. Eu ainda sou forçada a ter uma taxa de testosterona que não é saudável, é tão baixa até na média das mulheres cis. Não me limitei a saltar do sofá e ganhar”, declarou.

Ela diz que se orgulha de ser “a primeira mulher trans a ser campeã mundial em um evento individual de ciclismo” e analisa que, dependendo da performance, atletas trans são vítimas de transfobia. “Quando ganhamos é porque somos transgêneros e é injusto. Quando perdemos, ninguém repara (e é porque não somos assim tão boas, de qualquer modo). Até quando é o mesmo atleta. Isto parece transfobia”, afirmou.

HORMÔNIOS

Além de ciclista, Rachel é doutora em filosofia, professora assistente na faculdade de Charleston na Carolina do Sul e ativista em prol dos direitos da população trans. Por conta disso, diz que está preparada para lidar com as transfobias no esporte.

Ela vem pesquisando sobre a importância da testosterona nos resultados esportivos de homens cis e conclui que a influência para o resultado não é predominante. “É verdade que há diferença nos resultados dos atletas de elite masculinos e femininos. Mas há várias questões que podem levar em contar”, declara.

“Por que é que há essa diferença? As pessoas gostam de respostas simples e dizem que é porque homens têm mais testosterona. Mas os nossos corpos não são simples, são complexos, confusos e belos. Vemos que 1/6 dos atletas masculinos de elite têm níveis de testosterona abaixo da média feminina, no entanto seus resultados são melhores. Então, não é por causa da testosterona. E também notamos que essa diferença entre homens e mulheres tende a diminui”, diz.

Rachael defende que cada pessoa tem “uma vantagem genética” que a torna boa em algum determinado esporte. E que se essa vantagem existe em qualquer pessoa e não é considerada injusta, por qual motivo é considerada injusta quando se fala em atletas trans? “Não podemos ter uma mulher legalmente reconhecida como tal na sociedade e depois não reconhecer os seus direitos no esporte. É uma questão de direitos humanos”.

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APOIO E DESCULPAS

Apesar das críticas, Rachel contou com o apoio de diversas pessoas, dentre elas da medalhista de prata, Carolien van Herrikhuyzen. Ela classificou a corrida como “honesta” e frisou que se a terceira colocada tinha algum problema com a participação de uma mulher transexual não deveria ter se manifestado só depois de ter chegado em terceiro.

Após a repercussão, a terceira colocada pediu desculpas publicamente, dizendo que se “inflamou acidentalmente em uma situação política e que se arrepende. “Eu fiz os comentários por causa de um sentimento de frustração, mas eles não foram produtivos ou positivos”, declarou.

Rachel, por sua vez, disse que era pouco tempo para que a adversária pensasse de fato no que havia falado e que precisava de mais tempo para aceitar o pedido de desculpas. Ela pede respeito: “No final do dia, somos apenas pessoas tentando encontrar o caminho neste mundo. Vou continuar estudando e espero que essa conversa continue de maneira aberta e positiva”, declarou.

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