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Questão do ENEM 2018 aborda o pajubá, a linguagem historicamente usada pelas travestis

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Uma das questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) chamou atenção neste domingo (04) ao abordar o pajubá (ou bajubá), a linguagem utilizada pelas travestis e gays e que tem origem africana para falar sobre dialetos. Ela esteve na prova de Linguagens.

A questão inicia com a frase: “Acuenda o Pajubá”: conheça o dialeto secreto utilizado por gays e travestis”. E informa que, “com origem no iorubá, a linguagem foi adotada por travestis e ganhou a comunidade”.

No texto, ela traz a conversa: “Nhai, amapô! Não faça a loka e pague meu acué, deixe de equê se não eu puxo teu picumã!”. “Entendeu as palavras dessa frase? Se sim, é porque você manja alguma coisa de pajubá, o dialeto secreto dos gays e travestis”.

Ela ainda mostra o diálogo de um advogado que diz que é preciso ter cuidado para falar o pajubá atualmente, pois está na internet e tem até dicionário, referindo-se ao Aurélia, a dicionária da língua afiada, lançado no ano de 2006 e escrita pelo jornalista Angelo Vip e por Fred Libi, com mais de 1.300 verbetes, revelando os significados das palavras do pajubá.

“Não se sabe ao certo quando essa linguagem surgiu, mas sabe-se que há claramente uma relação entre o pajubá e a cultura africana, numa costura iniciada ainda na época do Brasil colonial”, continua o texto de abertura, que antecede a questão.

Enfim, vem a pergunta: “Da perspectiva do usuário, o pajubá ganha status de dialeto, caracterizando-se como elemento de patrimônio linguístico, especialmente por:

      1. a) ter mais de mil palavras conhecidas
      2. b) ter palavras diferentes de uma linguagem secreta
      3. c) ser consolidado por objetos formais de registro
      4. d) ser utilizado por advogados em situações formais
      5. e) ser comum em conversas no ambiente de trabalho”

    .
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Nas redes sociais, muitos/as estudantes comentaram sobre utilizar o pajubá em uma das questões. “Travestilidade agora é matéria do Enem. Nosso Bajuba amores”, escreveu o perfil Travestis e Transexuais Brasileiras. “O Enem foi lindo né. Falou de travestis, lésbicas, gays, teve textos da Conceição Evaristo e abordou direitos humanos”, escreveu Lana de Holanda. “Eu e milhares de irmãs fomos questão da prova do ENEM 2018. Nunca antes na história havíamos feito parte de uma citação com tanta clareza”, declarou a ativista travesti Marcella Alves Monteiro.”Não sabemos vocês, mas o Brasil que a gente quer é com ENEM tendo questão sobre pajubá”, escreveu a Revista Hibrida.

Segundo Eduardo Valladares, professor do Descomplica, a prova teve o mesmo grau de dificuldade dos anos anteriores e muitas questões exigiu que os candidatos decodificassem o que era dito. “A prova não fugiu do padrão e trouxe uma cobrança perto do que é esperado. O aluno que lê bastante, está acostumado a essa cobrança do Enem e fez boa prova”, declarou ao jornal O Globo.

O Enem também trouxe temas de cunho social, como racismo e violência contra a mulher. Em uma das questões sobre verbos no modo imperativo, havia uma peça publicitária sobre violência contra a mulher. Em outra, falava sobre como o negro era visto pela indústria de produtos de beleza.

Assista um vídeo do NLUCON e Daisy Almeida falando palavras do Pajubá:

 

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15 comentários

    1. A merd@ é o que, exatamente? Discutir um assunto da atualidade que diz respeito a milhares de pessoas pra falar sobre o conceito de dialeto? O Enem foi totalmente neutro na forma como apresentou a questão. Ou a prova só deve falar de coisas com as quais nós concordamos? Se a pessoa não desenvolve senso crítico sobre o que acontece ao redor dela, ou no mínimo se mantém informada, que tipo de profissional de medicina e engenharia ela vai ser?

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      1. Talvez um profissional da medicina que saiba o real sentido de um dialeto, não expressado bem nas alternativas propostas na questão.

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    2. A questão fala apenas e tão somente de dialeto. Da mesma forma que abordou o referido dialeto, poderia ter abordado sobre qualquer outro. O importante não era conhecer o dialeto mencionado no texto, mas sim saber o que é um dialeto e quais as suas características. Então, é uma questão como qualquer outra do ENEM, que sempre trata de assuntos debatidos na atualidade.

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    3. Ta pensando o que, viadagem tbm é cultura, sinceramente nem sabia que tinham dialeto próprio, pra mim não muda em nada, fiz enem uma vez na vida e na época nem servia pra nada, já to velho e a Bichara ta ganhando força, parabéns aos envolvidos no enem desse ano, espero que no próximo, se afastem da internet e busquem matéria digno de uma prova desse porte.

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      1. Oi, João! Ainda bem que fez ENEM apenas uma vez, pois com tantos erros gramaticais seria difícil passar na redação hoje em dia. Quanto a equipe que elaborou a questão, com toda certeza se empenharam muito para elaborar essa prova, pois é uma excelente questão sobre linguística que mostra um ponto pouco pensado por outras pessoas. Se você se sente ofendido só de saber que gays e travestis se comunicam com um dialeto próprio, talvez esteja inseguro quanto sua própria sexualidade. Abraços!

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    4. Pô, pessoal, ou eu sou muito burro ou tá todo mundo equivocado. A pergunta do ENEM não era: “Da perspectiva do usuário, o que caracteriza o pajubá como um dialeto? Não perguntava o que era ser gay, por que tem gay ou algo do gênero. Perguntava sobre linguística. Acho que quem está bravo com a questão não sabe o que é um dialeto, mas sabe o que é ser gay..rsrs. Ah, antes que me entendam mais, sou hétero e tenho amigos gays, que respeito como respeito qualquer pessoa.

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    5. Pô, saber explicar o que é um dialeto agora é “uma merda dessas”!!!!!!!!!!!!!!! a questão não perguntava nada sobre gays, mas sim o que caracterizava o pajubá como dialeto da perspectiva do usuário…. E Jesus demora a voltar.

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  1. Ah,que beleza ! Então viadagem agora é assunto de interesse coletivo? Qual seria a finalidade de elaborar uma questão idiota e inútil como essa além de querer selecionar apenas os “moderninhos” e “antenados” (leia-se simpáticos à causa) futuros militantes esquerdistas? Não tem justificativa alguma, trata-se de uma questão de prova completamente fora de propósito, tendenciosa e pessimamente elaborada. Nota zero para os pseudoprofessores que tiveram a infeliz idéia de colocar esse lixo no ENEM.
    A propósito, se a intenção é promover a cidadania gay, por que não expôr idéias para tirar os travestis da prostituição e da criminalidade? Ah, isso não dá “hype”, não é? Nem planos para garantir tratamento medicamentoso/ psicológico para os gays que ainda hoje morrem pelas complicações da AIDS.
    Incomoda-me a ideologia criminosa que exalta o homossexualismo como “opção” e não como transtorno psiquiátrico. Só quem tem esse tipo de caso na família sabe o imenso sofrimento que isso causa. Chega de hipocrisia, bando de canalhas !!

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      1. É um dialeto secreto, como é que um aluno normal que ficou estudando e não pesquisando coisas inúteis que ninguém usa no dia a saberia sobre isso ????
        Meu deus que estupidez, a pessoa nem percebe como essa pergunta é voltada para um público alvo(simpatizantes ou participantes do movimento LGBT).

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