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TransVive: Exposição fotográfica em PE denuncia e combate a transfobia

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Michel Marques transformou frase negativa em empoderamento

O Brasil é o país que mais mata a população trans e travesti em números totais de todo mundo (Transgender Europe). Só em 2017 foram 179 assassinatos, informa a Antra. Foi diante destes dados que o fotógrafo Thiago Britto pensou no importante projeto fotográfico “Trans Vive”, que está exposto até o dia 20 de dezembro na Galeria de Artes Corbiniano Lins, em Santo Amaro, Pernambuco.

A foto-instalação traz 12 fotos tamanho A3 de diversas travestis, homens e mulheres trans carregando em seus corpos frases marcantes, que expõem e combatem a violência transfóbica. Também há o clipping de matérias que evidenciam preconceito cotidiano contra a população trans brasileira. Trans Vive surgiu dentro do curso de fotografia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e foi selecionado para a décima edição do Unico.

“O trabalho consiste em uma reflexão na sociedade sobre o número alarmante de violências e agressões a pessoas trans. Sempre escutei histórias de diversos casos de preconceitos contra transexuais e pensei em produzir algo que abordasse essa temática para fazer a sociedade refletir sobre o modo como são tratados, e a partir daí, mudem o comportamento. A violência não está só na agressão física, mas também nas palavras”, declarou o fotógrafo ao Social1.

De acordo com o artista, a exposição contou com a participação e colaboração dos modelos durante todo o processo, que relembraram as frases preconceituosas que marcaram suas vidas e puderam as ressignificá-las livremente em seus corpos. O modelo Daniel Brito carregou no corpo a frase “Ser Trans é Resistência Contra o CIStema”. Nilon Medeiros, que cursa bacharelado em educação física, posou para os cliques escrevendo: “Você não tem pênis”, “Você não é Homem” e “Preconceito machuca. Transfobia Mata”.

“Todas as frases foram ditas pela minha mãe. São frases com grande peso para mim. Ainda hoje somos muito invisibilizados, as pessoas precisam saber da nossa existência e que nãos omos lésbicas masculinizadas e, sim, homens. Precisam saber a diferente entre gênero e sexualidade, e que pessoas transgêneros podem ser homossexuais, heterossexuais ou bissexuais”, declarou Nilon ao NLUCON. 

A estudante Wirdney Styles, de 19 anos, relembrou uma das frases que mais escutou durante o seu processo de entendimento em mulher trans, “Deus não te fez mulher”. Como resposta, escreveu na outra face o empoderamento como dona do próprio corpo e da própria identidade: “Eu sou mulher”.

“Escolhi a frase porque ela marcou muito na minha vida. Eu fui criada dentro da igreja e, quando comecei a perceber minha diferença, comecei a questionar essa frase em minha cabeça. Será que sou gay? Será que sou homem? Esses pensamentos me fizeram com que eu tivesse uma depressão horrível. Eu não saía de casa, me sentia como uma aberração, até que com o tempo eu percebi que sou quem sou e, se existe algum Deus no universo, ele me faria ser feliz e não triste com meu corpo. Ainda ouço “Deus não te fez mulher” na boca de muito, contudo eu sou mulher, isso é a minha verdade imutável”, diz ao NLUCON.

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O DJ e empreendedor Michel Marques, de 23 anos carregou em seu corpo as frases: “Posso ser sua vergonha, mas sou meu próprio orgulho”, no peitoral, ” e “Eu me amo”, nas mãos. Segundo ele, trata-se de uma resposta a um familiar, que declarou ter vergonha por ele ser homem trans.

“Essa frase teve origem em uma de muitas conversas com minha mãe. Um dia ela disse: sinto vergonha de você. E desde este dia, eu tive que repensar tudo, aprendi a ser sozinho, aprendi a ser o meu próprio orgulho e, com isso, ajudar pessoas que passarão pelas mesmas barreiras ou não. Daí veio a ideia de querer passar a mensagem: posso ser sua vergonha, mas sou o meu próprio orgulho”, declara ao NLUCON.

Michel afirma que foi maravilhoso fazer parte do projeto e conseguir vencer a timidez. “A ideia do projeto de ter visibilidade e passar a mensagem através dos nossos corpos, foi muito importante. Querendo ou não, o corpo trans em si já é uma arte em forma de mensagem para muito gente. Me senti confortável para tirar as fotos, o Thiago me deixou muito a vontade”.

Wirdney também diz que amou a exposição, sobretudo por se tratar de uma realidade atual e que precisa de socorro. “A palavra Trans e Viver juntas já é uma forma irônica na exposição, pois infelizmente pessoas trans são impedidas de viver e de serem tratadas como parte da sociedade. A exposição veio para tocar em feridas que nem todos conhecem ou prestam atenção”, finaliza.

Após a exposição no Sesc Santo Amaro, Trans Vive será exposto a partir de janeiro de 2019 na Galeria de Arte Ana das Carrancas, em Petrolina. A entrada é franca.

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SERVIÇO

Sesc Santo Amaro – Pernambuco
Onde: Sesc Santo Amaro, Praça do Campo Santo, 1-101, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados por meio de agendamento prévio
Quanto: Gratuito
Informações: (81) 3216.1728

Galeria de Arte Ana das Carrancas
Onde: R. Pacífico da Luz, 675-581 – Centro, Petrolina – PE, abre às 8h
Quanto: Gratuito
Informações:

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