Tamara Adrián, 1ª deputada trans da Venezuela, diz que Brasil precisa proteger instituições de Bolsonaro

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Tamara Adrián
, a primeira deputada transexual da Venezuela, comentou sobre a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência do Brasil e as ameaças aos direitos da população LGBT. Segundo ela, é preciso proteger as instituições e principais órgãos da democracia e não deixar que sejam dominados ou anulados pelas forças autoritárias.

“Eu diria aos brasileiros que tenham o cuidado de reforçar os mecanismos políticos de freios e contrapesos. Que não permitam a anulação ou a tomada dos principais órgãos da democracia pelas forças autoritárias. Caso contrário, acabará a possibilidade de se impedir um debacle institucional”, declarou ela que tem 64 anos  à Veja.

A deputada justifica a vitória do político do PSL como um processo muito similar ao que ocorreu nos Estados Unidos, há dois anos, por meio da votação que elegeu Donald Trump. “Bolsonaro e Trump são populistas com ideias retrógradas, homofóbicas e racistas e sem nenhuma noção sobre o gerenciamento macroeconômico de seus países”.

Agora, ela defende que as instituições que possam proteger os direitos das minorias devam ser fortalecidas cada vez mais. “O fortalecimento das instituições pode ser a única via de limitar as pretensões não democráticas de Bolsonaro. É preciso lembrar que, na Venezuela, houve uma ‘reinvolução’ desde 1998, ou seja, a construção de um regime muito dominado pelos militares, mais retrógrado e nada aberto à diversidade”, frisou.

Ela exemplifica que o Palácio de Miraflores, a sede do governo venezuelano, simboliza os riscos que a democracia brasileira corre. Tamara diz que o descuido com as instituições e os órgãos responsáveis pelos freios e contrapesos foi o fator que permitiu a Hugo Chávez, no começo de 2000, controlar o Legislativo, adotar nova Constituição (a Bolivariana), reforçar completamente a Suprema Corte para mantê-la sob seus pés e comandar o Conselho Nacional Eleitoral.

Atualmente, Tamara diz que enfrenta os mesmos obstáculos dos venezuelanos para ter acesso alimentos, a remédios e a salário. Ela alega que entidades internacionais auxilia os que vivem em situação desesperadora. Já sobre as pessoas trans, há um total descaso do sistema de saúde. “Há pessoas que, há dois anos, não têm acesso aos hormônios que antes tomavam com regularidade, o que os expõe a doenças severas. Outros estão tomando testosterona para cavalos, o único que ainda chega ao país”.

Vale dizer que ela conseguiu ser eleita em um país essencialmente conservador e que segue resistindo às pressões. Ela conseguiu, por exemplo, aprovar o Dia Internacional contra a Discriminação Sexual, mas ele acabou sendo considerado nulo em 2016 pelo governo de Nicolás Maduro. Ela sua plataforma também há projetos de reforma da Lei Orgânica de Registro Civil, que visa permitir a união civil e o casamento de pessoas do mesmo sexo, o reconhecimento legal das pessoas trans e a proibição de mutilação de crianças intersexos.

“Somente Malta, Alemanha, Holanda e Chile adotaram legislações como essa. Na Venezuela, assim como no Paraguai e no Peru, não há nenhum direito aos LGBT. Só algumas leis precárias contra a discriminação no trabalho”, relata.

Atualmente a história de Tamara está sendo contatada no filme Tamara, dirigido por Elia K. Schneider, em cartaz nos cinemas do Brasil.

 

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