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Professor acusa aluno de soco; jovem diz que reagiu após sofrer transfobia em escola de Campinas

O aluno trans teria chegado atrasado na escola e, após uma discussão com a coordenadora, o professor passou a tratá-lo no feminino, perguntando se ele estava "nervosinhA". Saiba mais sobre o caso

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Um professor de química da Escola Técnica (Etec) Conselheiro Antonio Prado, do Centro Paula Souza, em Campinas, acusa um aluno de agredi-lo fisicamente na última quarta-feira (14). Em depoimento o aluno de 17 anos admite que deu um soco, mas justifica que reagiu após ser vítima de transfobia.

Segundo o Boletim de Ocorrência registrado como lesão corporal e injúria no 5º DP, a confusão ocorreu quando o jovem teria chegado atrasado e foi proibido de entrar. Ele teria entrado sem permissão – a escola alega que ele pulou o muro e ele diz que entrou pelo estacionamento – e foi abordado por funcionários.

Segundo o relato do professor, o aluno teria ofendido a coordenadora e dito que, para tirá-lo de dentro da escola teria que usar a força. O professor teria entrado para intervir e acalmar o jovem, mas que, antes disso, ele “desferiu socos, chutou a porta da coordenação e agrediu todos que tentavam conter”.

“Ele fez agressões verbais quanto à coordenação da escola, dizendo que todos são uns bostas e que ninguém mandava nele”, diz o B.O. Vale informar que o Boletim chega a tratar o homem trans no feminino e que não menciona qualquer desrespeito do professor ao aluno referente a identidade de gênero

Já no depoimento do aluno, ele alega que o caso ocorreu após sofrer diversas transfobias no espaço escolar. Ele diz que pede a inserção do nome social há dois anos, mas que insistem em não alterar e que sempre o tratam com o gênero feminino. Ele alega que o professor o trata no feminino e que se nega a aceitar seus atestados. O jovem declara ainda que se negou a ir embora após o atraso, uma vez que vários outros alunos chegam atrasados e que não são impedidos. “Eu acredito que isso foi feito por causa da minha questão de gênero, pois sofro perseguição e discriminação, não só por parte da administração como parte dos alunos, que chegam a tirar fotos de mim”.

Ele conta, que após ter entrado pela entrada de carros, chegou a se dirigir para o pátio, onde estava ocorrendo a aula, mas que foi abordado por uma das coordenadoras, que chegou aos gritos. “Ela gritou para o professor me segurar, sendo que eu já estava indo até lá. Disse que faria um B.O. e me expulsar por estar atrasado, sendo que 15 alunos que estavam atrasados foram permitidos entrar depois. Ela não explicou a situação para o professor, nem deixou eu falar. Então comecei a gritar. O tal professor pediu para que eu abaixasse o tom de vez, que ela poderia falar assim pois era empregada lá. Abaixei o tom, ela continuou gritando e eu falei que era melhor não falarem assim comigo, pois estava para entrar em surto”.

No relato, o aluno conta que mencionou os laudos psiquiátricos que tem e que inclusive já forma usados em um de seus atestados negados pelo professor. No atestado, seu psiquiatra orientava que não o abordassem com agressividade, pois aquilo mexeria com seu emocional. O aluno pediu para se afastar por um tempo até se acalmar, mas que foi ignorado pelos professores, que disseram que “isso não existe”.

“O professor usou de forma pejorativa contra mim o pronome feminino no diminutivo, dizendo que eu estava “nervosinha”, o que foi estopim para o meu descontrole. Nessa hora eu o intimei dizendo me chama no pronome feminino de novo ironicamente e infelizmente eu dei um soco no ombro esquerdo dele, não o agredi mais”, disse ele, que admite ter chutado a porta, mas não outras pessoas. “Além do soco, eu não agredi ninguém nem verbal nem fisicamente”, se defendeu.

À EPTV, testemunhas afirmam que presenciaram a cena: “O professor chamou ele de forma feminina, chamou de ‘brava’ […] Acho que está tudo errado, porque o aluno deve respeito ao professor, e o professor com o aluno”, falou um aluno de 16 anos. “A gente descobriu que ele entrou fora do horário permitido e começaram a barrar ele. Ele ficou revoltado e disse que ninguém podia impedir ele. Ele começou a ficar muito estressado e, depois de um tempo, o coordenador apareceu e disse: ‘Você está muito estressada’, e foi quando ele chamou o aluno de maneira errada, já que ele é trans”, disse outra aluna de 17 anos.

O Centro Paula Souza alegou por meio de sua assessoria de imprensa que o professor trabalha desde 1988 e que não há registros de reclamações. E disse que a adoção do nome social é uma “experiência consolidada” na Etecs e são frequentes as capacitações e as atividades sobre questões de gênero para professores e outros servidores. “A situação do estudante está sendo tratada diretamente com os responsáveis”.

A Secretaria da Segurança Pública do estado de São Paulo (SSP) informou, por meio de assessoria, que o caso foi registrado como ato infracional de lesão corporal e injúria no 5º Distrito Policial. Além disso, destacou que ele deve ser analisado pela Vara da Infância e Juventude.

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