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Eleitas trans de SP, Erica Malunguinho e Erika Hilton participam de diplomação marcada por confusão e racismo estrutural

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Erica Malunguinho e Erika Hilton

A deputada estadual Erica Malunguinho (PSOL) e a co-deputada estadual Erika Hilton (da Bancada Ativista / PSOL) participaram nesta terça-feira (18) da cerimônia de diplomação dos políticos eleitos em São Paulo, na ALESP. A cerimônia foi histórica para a população trans, que pela primeira vez integra a cerimônia, mas também foi palco de um conturbado episódio associado ao racismo estrutural.

Tudo porque a Banca Ativista – mandato coletivo na qual Erika faz parte como co-deputada ao lado de outras oito pessoas – foi impedida de subir ao palco para receber o diploma e tirar uma foto ao lado da co-deputada cis Monica Seixas, cujo nome esteve representando o grupo nas urnas. O impedimento ocorreu apesar de terem combinado previamente e verbalmente ao TRE, que posteriormente declarou não ter sido avisado.

Um dos co-deputados cis eleitos, Jesus dos Santos, que é militante do movimento negro e cultural das periferias, subiu ao palco mesmo assim. Ele foi recebido com empurrões, agressão, intimidação e injúrias raciais. O deputado cis Alexandre Frota (PSL) e seguranças impediram o co-deputado eleito de se juntar aos parlamentares e tentou tirá-lo do espaço.  Policiais militares e jornalistas subiram ao palco e a cerimônia ficou paralisada por 20 minutos. Parte da plateia gritou “fora, fora”, enquanto outras tentavam apoiar.  Jesus dos Santos – que foi eleito com 149.844 votos da Bancada Ativista – foi retirado do espaço.

Segundo Erika, em postagem nas redes sociais, Mônica também chegou a ser impedida por um policial militar de voltar ao palco depois de ir se encontrar com as demais co-deputadas na plateia. “Somente pode buscar seus pertences após ser ‘liberada’ por outro homem, deputado eleito, como ela. Aqui vale lembrar que ao longo do evento assessores e familiares foram autorizados seletivamente para receber diplomas por ou com seus deputados, fotografar e filmar. Jesus foi impedido e violentamente retirado, sem terem sido levados em consideração os pedidos de Mônica”.

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Bancada Ativista, com nove co-deputados recebeu 149.844 votos
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Momento em que Jesus subiu ao palco e sofreu agressões

Jesus declarou ao site G1 que houve racismo, uma vez que o barraram e desconfiaram por ele ser um homem negro, o que configura mais um episódio de racismo estrutural. Ele contou ainda que Alexandre Frota deu uma joelhada e o intimidou. “Quando entrei só vi o segurança correndo atrás de mim, falando ‘sai’, depois um monte de gente em volta e começaram os insultos, ‘seu preto’, ‘periferia’, ‘esse não é o seu lugar”.

“É o racismo estrutural que faz todo preto ser visto como um agressor, como um vagabundo. E é nesse sentido que o tratamento que eu recebi no palco foi esse. Não pararam para perguntar o que eu estava fazendo. Eles simplesmente disseram “saiam daqui, porque aqui não é o seu lugar. Foi a celebração como a branquitude celebra os seus momentos de glória e poder promovendo mais do que nunca o racismo estrutural que continua mantando jovens, mulheres pretas, nas periferias das grandes cidades”, declarou Jesus.

Frota, por sua vez, admite que chamou Jesus de “bandido”. “Para mim ele é um bandido. A maneira como ele pulou no palco eu não gostaria que fizesse isso, você gostaria que fizesse isso na sua casa, na sua festa? Não, e eu também não gostei disso aqui, isso é uma festa para aqueles que foram eleitos e não para bandido, para militante de esquerda ficar fazendo e usando da nossa festa para promover os movimentos deles”. A festa, todavia, também é de Jesus, uma vez que ele também foi votado e eleito.

Para Erika Hilton, tratou-se de uma cena que ocorre desde que Brasil é Brasil. “Aos olhos dos donos do poder, os corpos negros, homens e mulheres, a política radicalmente coletiva, não tem que ter espaço nem voz. Mas para todos que não entendem, que não aceitam, que não toleram isso, reforçamos aqui: nosso mandato é preto. Nosso mandato é mulher. Nosso mandato é trans. Nosso mandato é indígena. Nosso mandato é coletivo. Nossa diversidade é nossa força”.

Já Erica Malunguinho não comentou sobre o episódio nas redes sociais. Ela publicou uma foto de sua diplomação e escreveu: “Seguimos”. A deputada também usou as hashtags diplomação, reintegração de posse, alternância de poder, bem viver, Erica Malunguinho, Transgender e mulheres negras.

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Erica Malunguinho em diplomação
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