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DJs trans falam sobre carreira, hit do ano e projetos para 2019

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Os DJs Kaique, Pambelli, Tertu, Debbs e Leoni

Vai rolar nessa sexta-feira (21), a partir das 23h, mais uma edição da festa Colorful Bird, no Castle of Vibe, Lapa, Rio de Janeiro. A festa será em parceria com o NLUCON, site independente voltado para a população e que realiza um financiamento coletivop (ajude aqui).

As atrações da festa contam com um time de DJs formado 100% por pessoas trans talentosas, lindas e que vão botar todo mundo para dançar. Afinal, a Colorful Bird tem como premissa a liberdade e a possibilidade de ser você mesmo.

Para que você conheça um pouco mais cada uma das nossas estrelas – tem alguns que já são conhecidos e conhecidas do grande público – nós do NLUCON fizemos algumas perguntinhas sobre carreira, música, hit do ano e projetos para 2019.

Vale dizer que o Castle of Vive fica na Avenida Gomes Freire, 814, Lapa, Rio de Janeiro. E que o valor é R$ 10 (ou R$ 5 para pessoas trans). Tem uma promoção rolando na página do evento. Então não perca tempo e confirme sua presença clicando aqui.


DJ Kaique Theodoro 

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– Além de cantor, você também ataca de DJ. Como começou?

Comecei no ano passado, na festa de DJs em eventos da Casa Nem. Acabei levando a ideia pra frente em conjunto com a carreira de cantor. Ambos se auxiliam em diversos aspectos.

– O que você toca?

Meu set é o conjunto de coisas que escuto em festas LGBTQ, com ênfase no funk. Não podem faltar nossas cantoras MC Xuxú, Pamela Belli, cantoras drags e eu também. Sempre priorizo artistas do meio.

– O que você escuta quando não está trabalhando?

NeoSoul, blues, jazz e R&B são minhas paixões musicais. Esse ano descobri o FKJ, H.e.r, Joria Smith, Mahalia. Sem contar a IZA, né? 2018 está sendo musicalmente incrível.

– Quais são os projetos para 2019?

Sinto que vou ficar entupido de shows e eventos, lançamento de single, etc. Então devo segurar a vida de DJ.

🎵 ler escutando Experimenta 


DJ Tertu

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– Você estuda História da Arte e é professora de Literatura. De alguma maneira essas profissões ajudam na carreira musical?

No meu curso de história da arte temos aula de dança, teatro, música, cinema, pintura escultura, mas podemos escolher uma pesquisa e a minha sempre foi literatura oral e veio a se consolidar na música. Nada mais justo do que dizermos em 2018 que funk é poesia, talvez aquela que mais incomoda a sociedade higienizada e moralista.

Como começou a carreira de DJ?

Eu comecei muito espontaneamente, tocando músicas de playlist de celular, sempre músicas de funk. Comecei a tocar numa CDJ com ajuda da Viviane Flowt, na Casa Nem, em 2016, e de lá pra cá venho aprimorando meu som.

– Como classifica o seu som?

É de putaria acelerada. Sou DJ do Baile da California (Vidigal), então toco para o meu público, que são pessoas que como eu moram na favela e curtem uma putaria pra descer até o chão. Na minha playlist eu toco músicas que eu mesmo produzo com MCs, como MC DUKENNY, Bumbum de Ouro, MC Eliza e toco também MC Rebecca, MC Nick, MC Carol, MC Moanna…

– Quais são os projetos para 2019?

Em 2019 quero tocar bastante, produzir músicas e continuar levando para a favela a voz e arte de uma travesti assim como levar para academia vozes, corpos e realidades da favela. Em 2019 me formo na UERJ e quero estar apta a ser DJ TERTU, uma artista profissional da putaria acelerada.

🎵 ler escutando Um Beijo (remix by Tertu)


DJ Debbs

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– Em sua opinião, quais artistas trans mais bombaram na música neste ano?

Adoro a Pamela Belli e o Kaique Theodoro, mas sei que mencioná-los é puxar sardinha. Acredito que Linn da Quebrada ou a Liniker arrasaram neste ano. Não consigo decidir entre as duas. A Linn veio com tudo com o álbum Pajubá e a Liniker está aí arrasando nos palcos. Lá fora temos a Kim Petras bombando no pop, apesar de ela trabalhar com certo produtor que prefiro não mencionar.

– Como foi sua estreia como DJ?

Em 2015, acabei saindo de casa após ter problemas graves com um familiar. Vaguei pela casa de amigos, na rua, dormi na faculdade, até que fui acolhida pela Indianare (Siqueira) na Casa Nem. Lá sempre ocorria festas e eu, depois de ficar na portaria e como animadora de pista, me ofereci para tocar quando faltou uma DJ. Sempre curti criar playlist no meu computador, ler e pesquisar sobre músicas novas. O DJ Leoni, que produzia festas da Casa naquela época, aceitou e me ensinou como tocar, mexer nos equipamentos. Fiz várias festas, mas minha carreira não decolou quando saí da casa. Voltei a trabalhar recentemente com Leoni e estou aí para tocar muito  pop, r&b, hip-hop dos anos 2000, reggeaton, funk melody e edm.

– Você também tem um canal no Youtube, né? O que rola nele?

Então, tenho sim. Para falar a verdade o meu canal é uma porção da minha própria loucura e alma criativa. Comecei com o canal em 2016 fazendo vlogs, onde só reclamava da vida. Até que tive a ideia de fazer um vídeo sobre entrevista de emprego e criei a personagem Marisclene, uma mulher (cis ou trans, usa a imaginação) que só se ferra na vida por sempre falar a verdade, algo que meio que imita minha própria vida. Fora isso meu canal tem de tudo: React, Debbs Por Aí (Videos de viagem/turismo), Politica, Vine, Playlists, Karaoke no Quarto… A ideia é que seja como um canal de TV mesmo. Pode achá-lo no link: youtube.com/ComoAssim

– Quais são seus projetos para 2018?

Espero estar viva, melhor e com paz de espirito. Fora isso, estou pensando em trocar de faculdade, fiz o Enem e quero estudar Audiovisual. Voltar a atuar e estudar teatro, continuar tirando minhas fotos, fazendo minhas poesias, aprender a cantar e bem, continuar tocando, pois amo ser DJ. Ano que vem estreia o meu primeiro curta “Corpo, Alma e Coração”, baseado em 3 poesias que fiz e com uma história que muitas meninas e meninos trans com certeza vão se sentir representades.

🎵 ler escutando mEnorme (Linn da Quebrada)


DJ Pambelli

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Pamela Belli (crédito: Ana Wander)

– Qual música marcou neste ano as festas do Rio de Janeiro? E qual aquela que nunca pode faltar?

A música que marcou esse ano para mim foi Envolvimento, da MC Loma e Anna Wintor, da Azealea Banks. No meu set não pode faltar Vogue da Madonna, que eu tenho várias versões bem close.

–  Ser cantora e DJ interfere no seu som? Consegue lidar com as duas carreiras tranquilamente? 

Agora é que estou começando a ser chamada para eventos fora da bolha trans, mesmo assim é pingado. O fato de ser DJ até ajuda na parte de cantar, por ter conhecido e ouvido bom pra música.

– Seu último sucesso foi “Pode Leitar”. Como o público tem recebido o trabalho da Thunder Trash, que traz funk, pop com muito humor e sexualidade?

Acho que pode leitar fez o pessoal enxergar melhor a nossa proposta. Que é sacudir a porra toda de um jeito divertido, bem safadeenhos e com uma estética diferente da maioria dos funks da cena

– O que podemos esperar para 2019?

Em 2019 espero trazer mais trabalhos, tanto na Thunder quanto como Dj também. Experimentar novos estilos, e estou com vontade também de aprender a produzir músicas em 2019. Produzir nosso som e ajudar novos artistas independentes.

🎵 ler escutando Pode Leitar 


 DJ Leoni

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– Qual é o maior desafio de produzir uma festa para a população LGBT?

O maior desafio de produzir um evento LGBT aqui no Brasil é a falta de apoio. Quando comecei com a colorful bird eu sabia que esse seria meu maior desafio, mas isso não me desanima. pelo contrário, me faz cada vez mais forte. Não faço isso por dinheiro como muitos produtores por aí fazem. Isso é por amor! É chegar no dia dos eventos e ver a galera se divertir e ir embora feliz e ver cada DJ que passa pelos eventos crescendo e seguindo carreira. Então, no final, todos os desafios e a falta de apoio some quando toda essa galera soma e mostra que somos sim um movimento forte e cheio de amor.

– Você chegou a tocar fora do país, né? Como foi essa experiência e o que poderia falar das diferenças do público?

Sim, no meio do ano fiz minha primeira tour pela Europa e foi um sonho realizado. Tenho que admitir que por muitas vezes eu não acreditava no que estava vivendo. Quando cheguei em Barcelona pensei comigo mesmo que ali só tocava os melhores DJs do mundo e eu estava ali. Fui muito bem recebido lá fora e todos os shows lotaram, o que foi mágico. A galera foi muito calorosa e vibrava a cada música, então quase não senti muita diferença no público. Só o idioma mesmo que era diferente e era só isso que me fazia lembrar que estava tocando fora de casa (risos)

– Uma curiosidade: o som que você toca nas festas é o mesmo que curte em sua casa? Quais artistas fazem parte de seu set list particular?

Não, quando estou em casa eu escuto muita música clássica, Jazz, Rap, MPB , Rock antigos.. Então meu set no dia a dia é tipo Beethoven, Emicida , Cazuza , Amy Winehouse e por aí vai

– Quais são os projetos para 2019?

Em 2019 Eu retorno para tour na gringa, passando por Paris, Bilbao, Portugal, Amsterdã, Londres e Roma. Tem lançamento do Ep finalmente, tem clipe, trilha sonora da nova websérie da linha produções e o projeto mais importante, que é expandir a festa Colorful Bird para o Brasil todo. 2019 tá recheado de novidades boas.

🎵 Muleque de Vila (Projota)


DJ Micael

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– O que não pode falar em uma festa LGBT?

O que não pode faltar é respeito e muita animação. Saber respeitar o espaço alheio e tocar aquilo que faz a pista dançar com vontade. Eu comecei fazendo alguns eventos na Casa Nem e toco funk e pop.

– Neste ano, tivemos ainda mais artistas LGBT se destacando na música. Quais você acha que mais bombaram?

Pabllo Vittar fez bastantes hits. Também gosto muito da Pepita, Lia Clark, Linn da Quebrada. Destaco também o sucesso da cantora IZA.

– Quais são seus projetos para 2019?

Meus projetos são: regularizar meus documentos, conseguir logo um trabalho fixo e terminar meu E.M.

🎵 ler escutando Problema Seu (Pabllo Vittar)

 

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