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Conheça Julie, a cantora trans que é a nova sensação do pop funk

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Julie quer fazer público se divertir e inspirar com suas músicas

Quem adora Pabllo Vittar, Anitta e Ludmilla, não pode deixar de conferir o trabalho dançante da cantora Julie. É uma artista de 26 anos, mulher trans, natural de Florianópolis, Santa Catarina, e que vem se jogando no pop funk e conquistando o público por meio de suas músicas, clipes e apresentações.

A artista já lançou duas músicas – “Agora Nem Pagando”, single de estreia, que acaba de ganhar um clipe. A música foi composta por Julie e fala sobre uma mulher trans que foi rejeitada antes da transição, mas que agora é alvo do desejo do mesmo homem. Outra música é “Segura a Emoção”.

“Escrevi para aqueles caras que não quiseram ficar com a gente antes, mas que agora que a gente está bonita eles querem. Eu vivi isso e acredito que todas as mulheres trans também vivem. Na escola, muitos meninos tinham preconceito comigo, me xingavam e me ofendiam, mas agora querem ficar comigo. É a famosa hipocrisia”, defende.

Ela diz que o retorno das pessoas que escutam seus trabalhos tem sido bastante positivo e pretende fazer todo mundo dançar. “Adoro o pop funk e acredito que é um ritmo que as pessoas se sintam felizes para dançar, se amar e se inspirar. Na vida pessoal, eu sou bem eclética, gosto de outros ritmos e posso futuramente fazer algumas misturas”, conta.

Em fase de divulgação, Julie já se apresentou na Parada do Orgulho LGB de Curitiba, clubes noturnos e fez sua estreia na televisão no Programa do Ratinho, do SBT, no quadro é 10 ou Mil. “Já vi que no programa algumas meninas trans foram xoxadas, mas eu impus respeito e acabei sendo respeitada e muito bem tratada”, frisa. Ela recebeu quatro notas 1.000.

AS PESSOAS MUDAM

A cantora afirma que se identifica com o gênero feminino desde a infância e que deu início ao processo de sua transição aos 16 anos. “Sempre me coloquei como mulher. Foi difícil a transição, principalmente para a família, que não aceitava. O meu pai foi o que mais tinha preconceito e hoje é o que mais aceita. Sim, as pessoas mudam”, diz.

Durante a participação no Programa do Ratinho, Julie foi questionada por Leão Lobo qual era a diferença de travesti e transexual e se ela havia passado pela cirurgia de redesignação genital (popularmente conhecida como mudança de sexo). A artista declarou que, apesar do termo travesti estar ligado a alguns estigmas e da transexual estar ligada a cirurgia, não há diferenças na vida prática.

“Todas se identificam com o gênero feminino e devem ser respeitadas como tal. No nosso dia-a-dia não precisa ter essas diferenças. Não ligo do que me chamem, desde que haja respeito”, frisa.

CRISTIANO ARAÚJO E PABLLO ME INSPIRARAM

Julie conta que sempre teve o sonho de cantar, mas que não investia pelo medo de não conseguir divulgar o seu trabalho pela transfobia. Foi por meio de Cristiano Araújo, cantor sertanejo cisgênero que morreu em 2016, e da cantora drag Pabllo Vittar, que ganhou forças ela decidiu correr atrás do seu sonho.

“Pode parecer inusitado, mas sempre gostei do Cristiano e via que ele sempre falava que era preciso correr atrás dos seus sonhos. Já a Pabllo, querendo ou não, ela abriu os caminhos para as artistas LGBT. Por meio dela, acreditei que, se fizesse algo bem feito e corresse atrás, poderia dar certo. Foram artistas que me inspiraram e que me ajudaram a ter mais coragem para seguir”, afirma.

TRANSFOBIA E DESUNIÃO

A batalha, todavia, não tem sido fácil. “A gente sabe que tudo é mais difícil na vida de uma mulher trans. Do meio LGBT somos as que mais sofrem e somos associadas a marginalidade, a droga, bafão e barraco”, ressalta. Julie conta que as oportunidades são raras, incluindo dentro do segmento LGBT. Ela diz falta apoio de empresário de espaços LGBT e de até artistas consagradas do cenário com as novatas.

“Falta darem oportunidade para quem está começando. Vejo que muitos empresários de casas LGBT só estão interessados no pink money, no dinheiro que a gente pode render, e que não dão oportunidade para nós em início de carreira. Mas se você é conhecida, eles te adoram, te seguem… Isso também vale quando a gente pede a divulgação de artistas LGBT. Vários com quem me encontrei são simpáticos pessoalmente, dizem que farão uma postagem para fortalecer o trabalho, mas simplesmente ignoram depois. É difícil”, desabafa.

Apesar disso, Julie segue investindo em sua carreira e querendo divertir o público. Nos próximos dias, ela se prepara para gravar outras duas músicas, que ela prefere não revelar o nome, mas adianta que será mais lenta e outra romântica. “Também devo preparar o clipe de “Segura a Emoção””, solta, referindo-se a uma música gostosa, dançante e chiclete.

Segundo ela, o maior sonho agora é poder ser reconhecida pelo trabalho, poder fazer diversos shows pelo Brasil e ter a oportunidade de inspirar outras pessoas – assim como já se sentiu inspirada anteriormente. “Meu objetivo também é mostrar que, independentemente de ser trans ou não, a gente pode ser o que a gente quiser. É difícil, mas a gente chega lá”, finaliza.

Confira os trabalhos abaixo: 

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