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Aos 84, ativista trans Katherine Cummings diz: “Espero que um dia sejamos aceitas como simples variação da norma”

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A escritora e ativista escocesa Katherine Cummings, de 84 anos, é considerada uma das mulheres trans pioneiras no ativismo. Em entrevista ao site internacional Star Observer, ela falou sobre sua trajetória, conquistas do movimento e as expectativas que sente para o futuro.

“Espero que um dia as pessoas trans sejam aceitas como uma simples variação da norma, sem ser condenada nem elogiada. Espero que haja mais pesquisas sobre diversidade de gênero e sexo e que, quando as verdades forem descobertas, elas sejam divulgadas, não ocultadas”, declarou.

Katherine foi designada homem na Escócia em 1935, mas só conseguiu dizer ao mundo quem de fato era – uma mulher – em 1986. No início dos anos 90, tornou-se conhecida ao lançar uma autobiografia intitulada Katherine’s Diary, que lhe rendeu muita fama, ajudou na visibilidade das pessoas trans e um prêmio australiano de direitos humanos por obra não-ficcional.

“Eu fiz a transição quando tinha cinquenta e um anos. Tinha experiência em teatro amador, onde aprendi sobre maquiagem e várias outras habilidades que se tornaram úteis mais tarde. O principal obstável que enfrentei – além da parta da maior parte da minha família – foi o fato de que as pessoas trans não erma protegidas pela Lei Anti-Discriminação até meados dos anos 90. Isso dificultou conseguir emprego”, declarou ela, que trabalhava na Biblioteca da Faculdade de Artes, de Sydney.

Ela contou que escolheu seu nome devido a atriz Katharine Hepburn (1907-2003). “Sempre a vi como uma mulher forte e inteligente que fez campanha pelos direitos humanos numa época em que estava fora de moda fazê-lo”, explica.

Ao ir em busca de seus direitos num período de muita invisibilidade, acabou consequentemente inspirando e militando em prol da população trans. Katharine conseguiu, por exemplo, que o Departamento de Imigração mudasse o seu nome no Certificado de Naturalização. Também convenceu o Departamento de Imposto de Renda que a eletrólise (retirada dos pelos) para pessoas trans era uma questão de saúde e terapêutica não meramente cosmética. “Eles se recusaram por quatro anos, mas no quinto eles aceitaram a ponto de reembolsarem meus pagamentos anteriores. Ambas as concessões se tornaram precedentes para que outras conseguissem”, diz.

Ao comentar que é uma referência e considerada uma heroína, Katherine se diz surpresa. “Eu acho que sou apenas velha, mas contribuí para mudar alguns regulamentos”. Ela também entrou para o Gender Center em 2001 e em 2003 foi convocada para organizar o TDoR, evento em que prestem homenagens a pessoas trans que já morreram. “Ouvimos palestras de políticos, empresários, ativistas, policias, bem como vários indevidos da comunidade que trazem suas experiências pessoas e reforçam a necessidade de melhoraria para pessoas trans”.

Dos anos 80 para 2019, a ativista diz que houve diversos avanços no país. Ela destaca a Lei Anti-Discriminação que teve a inclusão dos direitos das pessoas transgêneras, a criação de políticas LGBT dentro da polícia e para pessoas presas. “Socialmente houve avanços significativos, mas ainda há muito a ser alcançado por meio da educação”.

Ela finalizou a entrevista dando um conselho para as novas gerações de pessoas trans: “Faça o seu melhor para deixar o mundo um pouco melhor do que você encontrou. Lembre-se de que você tem responsabilidades, assim como direitos. E que o objetivo deve ser centrar o pêndulo e não empurrá-lo para o outro lado. Lembre-se de que ser trans não é ficar em uma sociedade fechada, mas que se trata de um pequeno segmento da sociedade como um todo e que temos como objetivo estar inseridas nela e não nos destacarmos dela”.

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