Criança trans de 11 anos é impedida de participar de competição internacional de patinação

patinadora trans

Por Millena Vanzeller

Maria Joaquina Cavalcanti Reikdal, de 11 anos de idade, é patinadora e estava pronta para participar do Campeonato Sul-Americano de 2019, competição internacional de patinação artística, que acontece no dia 23 de abril e que será sediada em Joinville (SC). Porém teve a convocação ignorada pela organização da competição. O motivo? É uma garotinha trans.

Segundo seus pais Gustavo Cavalcanti, 37, que é o empresário e professor, e Cleber Reikdall, 39, Maria havia sido classificada inicialmente. Ela já havia sido vice-campeã no Campeonato Brasileiro e tem aval da Confederação Brasileira para competir entre as meninas tanto no nacional quanto na disputa estadual no Paraná. Porém pouco depois recebeu um e-mail da Confederação Sul-americana informando que não poderia competir entre as meninas.

A Confederação alega que as inscrições são baseadas no sexo de nascimento e que, por esse motivo, ela não poderia integrar a competição. “O Comitê Executivo da Confederação Sul-americana de Patinagem, com base nos Estatutos e Regulamentos vigentes desta Confederação Regional, informa que só se permite que compitam em seus eventos patinadores cujos documentos de identidade confirmem a que categoria pertencem, ou seja RNI [Registro Nacional de Identidade] masculino = categoria masculina, RNI feminino = categoria feminina”, justifica. E finaliza: “Tal conceito não é passível de contestação, uma vez que segue os mesmos critérios da Federação Continental de Patinagem, World Skate America e da Federação Internacional de Patinagem e World Skate”.

Para Gustavo, a justificativa não faz sentido, uma vez que a patinação artística não exige força, mas está relacionada à arte. Sendo assim, a criança não teria vantagem sobre as demais patinadoras. “No masculino, ela estaria ganhando super fácil, pois o Sul-Americano praticamente não tem meninos. Teria pódio garantido. Saiu a ordem de inscritos e só tem um menino. As vagas para masculino sempre sobram. Na categoria, só uma vaga preenchida. Todo menino tem desempenho muito mais baixo que meninas até 15 e 16 anos, depois despontam. A nota do melhor menino foi de 15, a Maria teve 21 no torneio e a 1ª colocada, 21,20”, defende.

“Não é fácil, a gente briga para que ela exista socialmente. Se a gente não faz isso, ela não existe. No colégio, ela viraria menino porque chamariam pelo nome de registro. Ser pai de uma criança trans é uma luta diária, não consigo nem sequer viajar sem brigar, acham que estou raptando ela. As pessoas veem o documento e perguntam: Cadê ‘ele?’. É um constrangimento todo dia”, disse Gustavo ao site Ponte.

Assista:

 

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