Morre Elisa Mascaro, lendária empresária que deu glamour à noite LGBT dos anos 70/80

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Acervo: Elisa Mascaro

Morreu nesta terça-feira (16) aos 78 anos Elisa Mascaro. Trata-se da diretora artística e empresária que ao lado do marido Fernando Simões transformou a noite LGBT paulistana e a colocou em um patamar de glamour, arte, festas históricas e a presença de muitos famosos nacionais e internacionais.

A primeira casa de maior sucesso foi a Medieval, inaugurada em 1971 (!!!), localizada na Augusta. A segunda foi a Corintho, que abriu as portas em 1985, no Ibirapuera. Ambas investiam nos shows com artistas LGBT, com direito a carteira assinada. Em entrevista ao NLUCON em 2010, Elisa disse que “foram os primeiros lugares onde o gay pôde ser visto como gente”.

Muitas festas marcaram a história, bem como a Noite da Broadway, que parava a Augusta para que o público pudesse brilhar com figurinos e carros logo no hall de entrada. Em 1976, a atriz Wilza Carla chocou a todos ao surgir montada em cima de um elefante.

As casas eram frequentadas por artistas como Elke Maravilha, Wanderléa, Eva Wilma, Raul Cortez, Chiquinho Scarpa, Dercy Gonçalvez, Billy Paul e muitos outros. E revelava talentos trans e travestis, bem como Marcinha do Corintho – que aderiu até mesmo o sobrenome artístico e que continua em plena atividade.

“Tantas coisas para contar que daria um livro”, escreveu Marcinha nas redes sociais. “No meio do teste, dona Elisa Macaro gritou. Eu imaginei que ela não tinha gostado, mas ela brava falou: ‘você já está no espetáculo’. Conquistei seu coração, os melhores números, figurinos. Pouco a pouco o público me chamar de Marcinha do Corintho. Aprendi muita coma, como me portar em cena”, continuou.

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Marcinha do Corintho e Elisa Mascaro
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Elisa Mascaro no aniversário de 75 anos

Kelly Cunha também fez sua homenagem e diz que foi amiga de Elisa desde os anos 70. “Guerreira amiga, deu oportunidades a muitas travestis em suas casas noturnas, daí tudo mudou, virou o maior sucesso de São Paulo. A Medieval era o templo gay do Brasil, constava no guia turístico da cidade, não havendo outra casa igual”.

Nos últimos anos, Elisa chegou a dirigir alguns espetáculos, marcava presença em algumas apresentações e também recebia homenagens pela sua atuação em prol da comunidade LGBT.

Ela também foi uma das estrelas do filme São Paulo em Hi-Fi, de Lufe Steffen. “Elisa abriu sua casa, seu baú de memórias, suas lembranças e seu acervo, contribuindo de forma inestimável para que nosso filme se tornasse o que é. Revelou suas emoções, compartilhou conosco sua história e assim deixou sua marcam. Há pessoas que não passam em branco pela vida e Elisa Mascaro é uma delas. Life is a cabaret”.

Amigos informam que o velório foi realizado no Cemitério São Pedro e que o corpo foi cremado no Crematório Vila Alpina.

Saiba mais:
+ Medieval e Corintho por Claudia Wonder
+ Luffe Steffen fala como foi gravar São Paulo em Hi-Fi

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