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Quando o empoderamento é dinheiro, o pobre continua morrendo

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Foto: Omar Havana

Por Igor Rodrigues

O quanto você ouviu falar de empoderamento nos últimos tempos? Acredito que muito, e se não tiver vivendo em um mundo muito diferente do meu, deve ter ouvido falar que “fulano me representa” ou “ciclano é empoderado” e muito provavelmente deve ter visto pessoas que são consideradas empoderadas por terem alcançado a elite econômica e tem um problema muito grande aí.

Antes que alguém pense que começou mais uma problematização chique, justifico, o dinheiro no sistema em que vivemos tornou as relações individuais, o meu é mais importante que o nosso  e quando se presta atenção nas atitudes o objetivo é ser uma cantora milionário, um atleta famoso, um artista reconhecido e beber das águas que a riqueza nos trás, e mais uma vez o coletivo fica de lado.

Enquanto o empoderamento for ganhar milhões por mês o pobre que ganha muito pouco não tem como se alimentar, vestir, tratar e estudar, a individualidade não faz política pública para evitar que mais pessoas em situação de risco em de grupos de risco sejam mortas por serem que são ou estarem onde estão.

A representatividade que artistas faz com que a gente se sinta representado e deixe escapar um “ufa, estou me vendo na TV, finalmente” e de fato essa é uma construção importante, mas sob a lógica perversa da valoração da individualidade e das metas financeiras faz com que gente da gente morra, e faz com que gente da gente brigue entre si em uma competição sem sentido, onde quem odeia quem está do lado de cá comemora e utiliza disso para desmontar nosso discurso.

O que é necessário discutir? É necessário discutir o empoderamento nos espaços de poder e perceber na política, no esporte, na arte e na vida pessoas que fogem da normatividade estão chegando nos espaços de poder para que obrigue o Estado se remontar para respeitar a sua (nossa) existência. Não criemos competições entre nós, não criemos rivalidade e nem objetivos mesquinhos, o Capital que mais que a gente se exploda, quem tem que resistir de braços dados somos nós.

* Igor Rodrigues é graduando em Psicologia, ativista político escritor.
Contato: igorartrodrigues@gmail.com \  Instagram: igor.psol

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