Mulher trans Katrina Malbem ganha título de Miss Diversidade Indígena de Mato Grosso do Sul

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Katrina Malbem, primeira candidata trans — Foto: Organização do Miss Indígena/Reprodução

Katrina Malbem, de 17 anos, fez história no último sábado (27) durante o concurso Miss e Mister Indígena de Mato Grosso do Sul, que ocorreu na aldeia Jaguapiru, em Dourados. Ela foi a primeira mulher trans a concorrer em nove anos de concurso.

A jovem é da etnia Guarani e mora na Aldeia Bororó, em Dourados, e teve sua inscrição aceita pela organização. Ela participou do desfile ao lado de 11 mulheres cis e levou a faixa especial de Miss Diversidade Indígena de Mato Grosso do Sul.

Em entrevista, a miss declarou que ficou muito emocionada e que a noite do concurso foi um dos dias mais importantes de sua vida. “O que eu ganhei não é simplesmente uma faixa, isso me representa”, declarou a jovem ao G1.

Ela afirma que desde quando teve consciência de sua verdadeira identidade de gênero procurou o auxílio da mãe, dos livros e de um psicólogo. Apesar do apoio, Katrina conta que sofre bastante preconceito na aldeia, sobretudo de outros jovens da escola. “Na aldeia tem homossexual, tem transexual, e eles se ajudam. Quero ser inspiração para outros indígenas que sentem receio em assumir suas identidades de gênero e encorajar a todos para que busquem apoio e se libertem”.

A organizadora Tatiana Martins Gomes diz que a inscrição de Katrina foi recebida com surpresa. E que houve resistência por parte da comunidade, que ainda quer manter o conservadorismo dos costumes. Porém a organização decidiu que ela tem o direito de participar, sim, mas que teria uma categoria representando a diversidade. Katrina ainda não retificou o nome e o gênero/sexo da documentação.

Durante o concurso, o mesmo público que tentou impedir a participação aplaudiu a presença e a vitória da miss. Tatiana diz que a faixa de miss deve-se pela beleza, esforço e coragem. Eduardo Freiras Martins ficou com o título de Mister Indígena e Danieli Rodrigues Fischer com o título de Miss.

Agora, representando a diversidade indígena do Mato Grosso do Sul, Katrina almeja participar de outros concursos de Miss. Retificar a documentação para incluir o nome e o gênero/sexo com qual se identifica e, com isso, conseguir competir uma categoria tradicional também está em seus objetivos. “Esse é mais um passo de uma luta de uma vida inteira, uma luta contra o preconceito e para eu ter o direito de ser feliz do jeito que eu sou”, finaliza.

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