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Questão de saúde! Homem trans faz rifa e vaquinha para realizar sonho da cirurgia no peitoral

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Carlos Vitor: cirurgia é mais que questão estética

Por Millena Wanzeller
Colaboradora do NLUCON

Carlos Vitor Severiano dos Santos é o homem trans de 22 anos que nos últimos dias foi notícia do site Catraca Livre. Tudo por conta da rifa e da vaquinha virtual que ele realiza nas redes sociais para realizar um sonho: a cirurgia chamada de mamoplastia masculinizadora ou mastectomia (que retira o volume e masculiniza o peitoral).

Nascido e criado em Cruzeta, no interior do Rio Grande do Norte, ele afirma que o volume das mamas é a parte do seu corpo que mais o incomoda. O desconforto ocorre pela disforia de gênero (desconforto com uma parte ou aspecto do corpo que conflita com a vivência de sua verdadeira identidade de gênero) e que ele faz de tudo para esconder.

Cavi afirma que, para esconder o volume no peitoral, utiliza fitas e faixas. Procedimentos que, segundos especialistas, podem machucar a pele, causar ferimentos, prejudicar a postura e a respiração. Ele já carrega no corpo essas marcas. Sendo assim, neste caso, a cirurgia é mais que uma questão de estética, mas de saúde física, psíquica e convívio social.

Carlos foi entrevistado por Millena Wanzeller, que é parceira e colaboradora do site NLUCON, e falou um pouco sobre sua vivência trans, o contato com a família e a vaquinha para a realização de seu sonho.

– Com quantos anos entendeu sua identidade de gênero?

Eu comecei logo cedo, por volta dos 7 ou 8 anos, eu já fazia xixi em pé e dizia que era menino, só que minha mãe sempre me reprimiu. Na época, eu morava no sítio, zona rural da minha cidade, e sempre que minha mãe colocava coisas de menina, eu tirava e não queria usar. Tem até a foto de um aniversário que ela tentou arrumar meu cabelo e eu tirei, deixei, tipo, todo bagunçado, porque eu não queria nada que fosse de menina. Eu dizia que não era menina, que era um menino e eu queria andar igual os meus amigos. Quando eu ganhava boneca, cortava o cabelo, eu fugia pra casa do meu padrinho pra jogar futebol no campo sozinho, porque eu não queria brincar com as meninas, aí eu fui crescendo, sem entender, cada vez mais confuso, e fui começar a entender quando eu tinha mais ou menos 15 pra 16 anos.

– Como foi o processo de autoaceitação?

Até os 16 anos eu achava que era um ET. Daí ganhei um celular e comecei a entrar nas redes sociais. Tinha uma mulher trans aqui próxima da minha cidade e me baseei na história dela. Pensei: “Se ela conseguiu, eu também consigo mudar”. Comecei a pesquisar, fazer amizades, conheci meninos trans de outras cidades, conheci João Nery e, enfim, me identifiquei como homem trans. Eu achava que nunca ia consegui, que nunca ia dar certo, que nunca ia chegar onde estou hoje.

– E para a sua família, como foi esse processo?

Sempre fiz tudo sozinho, nunca tive apoio, minha mãe nunca disse “Vá, faça, é o que você quer, é a sua vida”, mas moro com eles. Não posso impor nada, infelizmente, a gente sempre brigou muito, minha mãe e eu, mas hoje em dia ela tolera. Só que ela não me chama de Carlos e me trata no feminino na frente de todo mundo e não tá nem aí, sabe?

– Como surgiu a ideia da vaquinha online??

A vaquinha foi ideia dos meu amigos. Mas no começo era fazer uma rifa pra juntar um dinheiro, tipo R$ 5 de cada pessoa e de alguma forma eu poder agradecer. A vaquinha surgiu quando o Catraca Livre me chamou pra fazer a entrevista, daí achamos melhor ter uma vaquinha virtual pra que, possivelmente, as pessoas pudessem ajudar mais rápido. Até então eu só tinha pensado na rifa mesmo, agora está ativo os dois, a rifa e a vaquinha, pois eu achei que os dois podem dar certo, mas acho que a vaquinha vai ser melhor.

(Vale dizer que Carlos recebe como salário R$998,00, valor distante dos 10 mil reais da cirurgia e que, com as contas mensais, não sobra nada para guardar o dinheiro).

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– O que você diria para outros garotos que estão passando pela fase de entendimento da sua identidade??

O que eu digo pra todo mundo, não só aos garotos, mas pra todas as pessoas trans, que procure uma ajuda profissional, não tente sozinho. É muito ruim a gente inseguro, com medo e acarreta várias coisas, ansiedade.. A gente sabe que a taxa de suicídio de pessoas trans é muito alta, então, não faça nada sozinho, procure ajuda profissional, não tenha vergonha. Se você não tiver ajuda dos pais ou da família, busque sozinho, pois precisamos de alguém que segure nossa mão, alguém profissional. A gente não vai falar pra qualquer pessoa, porque muitos acham que é brincadeira, que a gente tá louco, que quer chamar atenção.

Que tal contribuir na luta de Carlos, e na busca pela cirurgia? O valor necessário é de R$ 10 Mil, mas você pode contribuir com o que puder. Toda ajuda será bem-vinda.

O link da Vakinha é http://vaka.me/528484.

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