Alana Rocha diz que demissão de filiada do SBT causou depressão e relata desafio para voltar à TV

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A jornalista Alana Rocha falou, em entrevista ao NLUCON, sobre a demissão que sofreu em outubro de 2018 da TV Aratu, que é filiada ao SBT, também contou os próximos passos. O caso envolveu o apoio público da jornalista, que era repórter do programa policial Ronda, para o então candidato a governador da Bahia, Rui Costa (PT), que foi eleito.

Segundo Alana, que é conhecida como a primeira mulher trans a ser repórter de um programa policial, tudo foi uma infeliz coincidência e uma falta de comunicação. “Amo a cantora Solange Almeida e ela gravou o jingle dele. Quando eu estava saindo para comprar pão, começou a tocar música do Rui e eu, animada, peguei o celular e comecei a me filmar cantando”.

O vídeo foi publicado em seus Stories, no Instagram, e a equipe de marketing do candidato pediu autorização para compartilhar. Alana autorizou, mas não sabia que o vídeo fosse parar na campanha eleitoral de Rui Costa por duas vezes. Tampouco que os seus chefes ficariam descontentes com a participação.

“Num primeiro momento eu gostei. Acho que o ego falou alto de estar na televisão e um candidato a governador querer incluir o meu vídeo. Mas fiz errado de não especificar onde seria veiculado o vídeo, pois achei que seria divulgado apenas nas redes sociais, e de não ter perguntado aos meus chefes antes”, reflete.

Assim que a propaganda foi ao ar, Alana recebeu mensagens da chefia de jornalismo questionando a presença. “Ele entrou em contato comigo e perguntou: É verdade que você vai aparecer na propaganda eleitoral? Como é que você deixa a sua imagem, que é ligada à emissora, na propaganda eleitora de um candidato?”. Três dias depois ela foi demitida.

A jornalista defendeu que poderia ter sido punida, afastada ou alertada de que havia feito algo errado. Mas que não entendia por qual motivo ser demitida, já que não tinha problemas dentro do trabalho.  “Entrei em depressão e quase ela ficou muito feia. Achava que nada mais daria certo e que eu não conseguiria mais nada”, lamenta a jornalista.

+ Alana Rocha revela como se tornou a primeira mulher trans a ser repórter de programa policial

A demissão de Alana causou repercussão entre telespectadores e ganhou a imprensa. Mas apesar dos diversos pedidos para retornar à TV, Alana diz que a luta para se recolocar no mercado formal de trabalho continua. “Mesmo com toda a repercussão, (a volta) está estagnada. Meus colegas dizem que existe uma intenção de eu voltar, mas procurei a empresa duas vezes e ainda aguardo o retorno do telefonema”, diz. Hoje, ela recebe a ajuda da mãe, Conceição Oliveira, que é funcionária pública.

Alana segue com seu blog Hora da Verdade e indo a emissoras de rádio e TV para entregar o currículo. A recepção dos colegas tem sido positiva, mas que ao retornar as oportunidades também estão escassas. “As pessoas me recebem bem, com sorrisos, mas quando eu ligo novamente para ver o que tinha acontecido, daí dizem que ainda não tem oportunidade, que não dá, não deu”. Um teste que realizou e que aguarda a reposta é na Rede Bahia, afiliada à TV Globo. “Foi maravilhoso e disseram que guardam o currículo com carinho”.

Vale dizer que o governador Rui Costa, que foi reeleito na Bahia, até o momento não se manifestou sobre o caso e tampouco ofereceu algum tipo de apoio para a jornalista. Alana diz que já adotou mudanças em suas redes sociais: “Parei de dar opiniões políticas nesses espaços. Já havia diminuído, mas agora não posto mais”, finalizou.

Confira a primeira parte do bate-papo: 

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