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Frase homofóbica e machista de Bolsonaro sobre turismo faz governos lançarem campanha contra exploração sexual

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As declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no fim do último mês aos jornalistas no Palácio do Planalto fizeram apitar o alarme do incentivo ao turismo sexual, apologia a exploração sexual de mulheres e a homofobia. Na ocasião, Bolsonaro declarou que o “Brasil não pode ser o país do turismo gay”, mas que se alguém “quiser vir fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”.

Diante da repercussão negativa e imediata, diversos governos do nordeste, bem como o do Rio Grande do Norte, Bahia, Alagoas e Paraíba, e o Espírito Santo fizeram postagens se posicionando contra o sinal verde levantado pelo presidente, como se as mulheres estivessem à disposição dos turistas e como se fossem uma opção a serem exploradas sexualmente.

O Governo do Maranhão publicou a postagem: “Alô turistas! Estamos de braços abertos para mostrar as maravilhas do Maranhão. Mas saiba que repudiamos e condenamos todo e qualquer tipo de exploração sexual. Lembre-se sempre de denunciar qualquer situação que se enquadre neste crime. #ExploraçãoSexualNão #GovernoDeTodosNós”.

O mesmo fez o Governo de Pernambuco, que defendeu estar à disposição dos turistas, mas que a mulher pernambucana, não. “Pernambuco recebe a todos de braços abertos. Mas repudiamos qualquer tipo de exploração sexual. Para denúncias, no Estado, temos o serviço da Ouvidoria da Mulher: um canal de comunicação entre a população e a Secretaria da Mulher de Pernambuco, para o recebimento de denúncias de abusos físicos, psicológicos, emocionais, entre outros. O telefone é 0800-2818187”.

Já o Governo da Bahia, fez um vídeo em que diz que pode se apaixonar e explorar os lugares baianos, nunca as mulheres. “Juntos contra ao turismo sexual. #AquiNão #Bahia #GovernoDaBahia”.

Nenhum deles menciona o nome de Bolsonaro, mas a associação é evidente. Ao jornal o Globo, o professor aposentado da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com pesquisa sobre turismo sexual no estado, José Antônio Gomes de Pinho classificou a fala de Bolsonaro como “lastimável” e condenou qualquer menção que reforce a imagem do Brasil como destino para sexo livre.  “A gente não sabe quais são os inimigos preferenciais dele: os gays ou as mulheres. É lamentável”.

O Brasil é o 11º no ranking de abuso e exploração sexual infantil, atingindo meio milhão de crianças por ano. Segundo as Organização das Nações Unidas (ONU), o tráfico de seres humanos para exploração sexual movimentou cerca de U$ 9 bilhões no mundo e só perdeu em rentabilidade para a indústria das armas e do narcotráfico em 2015. “A cada hora, 228 crianças, em especial meninas, são exploradas sexualmente em países da América Latina e do Caribe, dos quais o Brasil é, infelizmente, o primeiro lugar desse ranking envolvendo o turismo sexual”, diz a nota do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM).

Tudo isso sem contar o conteúdo homofóbico das declarações de Bolsonaro – conhecido por se posicionar contra os direitos da população LGBT, apesar de não se considerar preconceituoso. Para ele, o “Brasil não pode ser país do mundo gay”, pois “temos famílias” – como ele disse na mesma entrevista. Um equívoco ao desconsiderar a existência das famílias homoafetivas e as pessoas LGBT que são filhos, netos, sobrinhos. E um incentivo a homofobia no país, que a cada ano bate recorde de assassinatos de LGBT, disseminando a ideia de que o Brasil não comporta a população gay.

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