Ir para conteúdo

Escritora e mulher trans Van Amorim processa Universidade Salvador por ser impedida de usar nome social

van amorim

A escritora e estudante Vanessa Amorim, de 26 anos, processa a Unifacs (Universidade Salvador) por transfobia. A universitária de Letras Vernáculas diz que a universidade não respeitou o seu nome social e que a obrigou assinar todos os documentos com o antigo nome de registro no momento da matricula, em julho de 2018, e nos primeiros meses de curso. Sendo assim, passou por inúmeras situações de constrangimento.

Vanessa afirma que tentou inúmeras vezes solicitar o nome social (nome em que é conhecida socialmente, independentemente do que está no registro civil), mas a universidade declarou que não sabia como proceder em casos semelhantes. Segundo ela, a universidade condicionou o tratamento respeitoso à sua identidade de gênero mediante a algum documento oficial com foto.

“Sofri constrangimento em diversos lugares, como na portaria. Toda vez tinha que explicar para os seguranças que meu nome no sistema estava errado. Os seguranças nem sempre eram os mesmos e, mesmo me conhecendo, pediam meu RG e olhavam a foto. No dia da matrícula, tive que assinar com o antigo nome civil . Era o último dia para entregar a documentação para ter a bolsa e fui obrigada a assinar mesmo assim. Também tive constrangimento na sala de aula. Tinha medo de entrar na sala, porque sabia que não tinham retificado o meu nome na lista de presença”, conta ao NLUCON.

Foi então que Vanessa entrou com uma ação contra a instituição. Ela também já realizou a retificação de nome e sexo da documentação no cartório, sendo legalmente reconhecida como Vanessa. “Minha militância se dá em nome de todas as pessoas trans que desejam ingressar na universidade. Quero que esse descaso não aconteça com mais ninguém, pois é impossível pensar em universidade, sem inclusão social”, declara.

Vanessa informa que a Unifacs perdeu a causa em primeira instância em outubro de 2018 e foi condenada a fazer a mudança imediata do nome nos documentos e pagar por danos morais. Ela diz que a decisão foi em 2018, mas somente no dia 15 de abril o nome foi alterado. “Isso porque minha professora levou todos os meus documentos para a diretoria e disse que havia esse processo, que já estava sentenciado”, declarou. Ela ainda aguarda o julgamento dos embargos opostos pela Universidade e o pagamento da indenização.

Com o dinheiro da indenização por danos morais, a escritora diz que pretende lançar seu primeiro livro. “Será o maior legado que posso deixar para a sociedade e a melhor resposta para a universidade”, declarou. Vanessa é escritora romancista e tem dois livros publicados na plataforma Wattpad, “O Código da Sabedoria” e “O Eclipse: Trilogia – Obcecada pelo Sucesso) com mais de 300 mil leituras online.

Por enquanto, desde quando o caso repercutiu na imprensa, ela está afastada das aulas. “Não se fala em outra coisa aqui. E na minha sala só quem sabia que sou trans eram os meus professores, nenhum aluno. Agora todo mundo sabe. Tenho medo de sofrer rejeição no banheiro, onde sempre transitei normalmente”. Mas se prepara para voltar em breve, uma vez que pretende se formar em 2021. “Não tenho escolha”.

OUTRO LADO

Ao BNews, a Unifacs afirmou que “Já adota o procedimento de uso do nome social no ato da matrícula, quando demandada pela estudante, bem como a mudança do nome civil, desde que apresentada documentação comprobatória”.”Sendo assim, o nome da aluna já foi alterado no sistema interno da instituição, de acordo com determinação judicial, em outubro de 2018″, diz a nota.

A UNIFACS garantiu ainda que não tolera quaisquer tipos de discriminação contra gêneros, orientação sexual, etnias, credos religiosos múltiplos, gerações diversas ou quaisquer outras características pessoais distintivas por qualquer membro da nossa comunidade acadêmica. E que desenvolve fomente à cultura da diversidade envolvendo a área acadêmica e colaboradores.

As práticas são feitas por meio do Comitê da Diversidade, Direitos Humanos e Cultura da Paz, que conta com membros da universidade e representantes da sociedade civil. “O Comitê foi reconhecido pelo trabalho que desenvolve, tendo recebido o Prêmio de Honra ao Mérito Cultural LGBTTQIA, concedido pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), e o Selo da Diversidade, concedido pela Secretaria de Reparação da Prefeitura Municipal de Salvador em 2017”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: