Mulher trans passa por reconstrução vaginal em cirurgia inédita com pele de tilápia

tilapia2
Pele de tilápia é usada em reconstrução vaginal (Foto: Viktor Braga/UFC)

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) realizou no dia 23 de abril uma cirurgia inédita: a reconstrução vaginal de uma mulher trans com pele de tilápia. A técnica foi desenvolvida pelo ginecologista Leonardo Bezerra, do Departamento de Saúde Materno-Infantil e da Pós-Graduação em Cirurgia da UFC, e é utilizada desde 2017 em mulheres cis com má formação vaginal.

“A pele da tilápia tem um tipo de colágeno rico em firmeza e elasticidade, que em comparação com a pele humana, se mostra muito mais resistente”, declarou ao O Globo. Bezerra declara ainda que a possibilidade de haver rejeição é quase nula, já que é um animal aquático e sem cruzamento de infecções com seres humanos, diferente do que acontece com transplante de tecidos bovinos, suínos e até humanos.

No caso, uma mulher trans de 44 anos, moradora de São José do Rio Preto, município de São Paulo, e que prefere não ser identificada, conta que fez a cirurgia de redesignação sexual (popularmente conhecida como mudança de sexo) em 1999, com a pele do próprio genital. Mas sofreu estenose vaginal (atrofia do tecido).

Ela conta que, apesar de esteticamente a vagina não ficar comprometida, a atrofia fez com que ela deixasse de ter profundidade, o que impedia que ela tivesse um genital funcional, além de causar muitas dores. Tanto que isso a dificultou encontrar novos parceiros e ter confiança no momento de se relacionar, depois de um casamento de 12 anos.

Após a cirurgia, que demorou três horas, ela diz que está satisfeita com o resultado e que já vê uma diferença anatômica. Sobretudo na cavidade vaginal, que após o uso de um molde para dilatar durante 60 dias, já começa a dar uma noção de como poderá ficar. Anteriormente, essas cirurgias em mulheres trans normalmente retiravam o tecido do intestino para a reconstrução. É a primeira vez que usam a pele do peixe de água doce.

Bezerra revela que a queixa do fechamento do canal vaginal é comum para muitas mulheres trans que realizam a redesignação genital. Ele diz que isso acontece porque a cirurgia é feita por meio da pele do pênis e, com o tratamento hormonal, o pênis atrofia, diminui o tamanho e causa desconforto. “Se você simplesmente criar o canal vaginal, ele se fecha por cicatrização, então há a necessidade de uma prótese biológica. No procedimento, refazemos o canal e recobrimos com a pele de tilápia. A pele de tilápia é incorporada pelo organismo de uma maneira bem mais funcional”, declara.

Ao Blog do Paulo Sampaio, no UOL, o médico diz que a paciente está evoluindo conforme as expectativas. “Não houve nenhuma complicação do ponto de vista infeccioso, de sangramento, e as dores foram suportáveis, contornadas com analgésicos”. Dentro de 60 dias, com a dilatação do canal vaginal, ela pode iniciar a atividade sexual.

Apesar do sucesso, a técnica ainda é feita sob protocolo de pesquisa clínica, não podendo ser difundida ou comercializada. “Se trata de um procedimento inédito; precisamos acompanhar essa primeira paciente para ver como o caso vai evoluir”. Na mesma reportagem, ela explica que não quer se identificar para preservar sua intimidade, mas acha positiva a repercussão tendo em vista que vai ajudar muitas mulheres. “Tenho certeza que, para várias pessoas, esse procedimento é uma luz no fim do túnel”.

57618399_10218321007003908_3066037183925190656_n

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.