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Pabllo Vittar prova que veio para ficar e mira comunidade LGBT mundial

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Quando Pabllo Vittar estourou no Brasil em 2017, com o álbum de estreia “Vai Passar Mal”, não faltaram críticas à cantora drag queen. Os ataques vinham de todos os lados, até da comunidade LGBT. Questionavam a voz, a afinação, o talento e se a repercussão estrondosa não seria passageira. Dois anos depois é possível dizer quer Pabllo continua sendo uma das estrelas mais badaladas do Brasil, provocando muito com suas músicas, seus clipes e declarações. E mais: agora abre as asas para conquistar o mundo.

A receita pode ser a mesma que adotou no Brasil. Primeiro, conquistar o segmentado público LGBT e se despontar com um dos maiores destaques. E isso ela fez com muito trabalho, seja com vídeos no Youtube, cantando na banda do Amor e Sexo e principalmente com o EP “Open Bar”, que desde 2015 embalava os clubes LGBT  com regravações abrasileiradas dos hits conhecidos na voz de Rihanna. Posteriormente, lançar o trabalho autoral, ampliar os horizontes, fazer parcerias com grandes nomes, talvez brigar com alguns deles, investir na música popular e tornar-se uma estrela de todos – sem esquecer a bandeira da diversidade.

Pabllo está antenada no que o público quer e o que espera dela. As músicas chicletes, de batida brasileira, as parcerias de grande alcance e os clipes muito bem produzidos e cheio de carões fazem sucesso. Buzina, Seu Crime, Disk Me, Problema Seu, Corpo Sensual e K.O somam juntos mais de 758 milhões de visualizações no Youtube. Sem falar de Indestrutivel (13 milhões de visualizações), que é um hino contra a LGBTfobia.

O voo mundial parece que está indo de vento em popa. Por enquanto, já se apresentou na Argentina, Chile, México, Portugal e Estados Unidos. Agora ela se prepara para fazer uma maratona em sete Paradas LGBT pelo mundo. Começa no dia 8 de junho em Los Angeles na La Pride Festival, segue no dia 9 para Boston, no dia 21 para Miami e no dia 22 em Chicago, no Chicago Pride Fest. No dia 23, ela estará em Toronto, no Pride Toronto, e no dia 29 em New York Prid Island, em Nova York. Já no dia 30, ela fará uma apresentação no San Francisco Pride. Ufa!

Ela garante: além dos brasileiros que moram lá, já começa a ser abordada por fãs internacionais, que conhecem o seu trabalho e que a acompanham. Não deve ser por acaso que foi capa da revista britânica Gay Times, uma das mais importantes publicações voltadas à comunidade LGBT do mundo. Por ela já passaram ícones como Lady Gaga, Elton John e David Bowie. Na foto, Pabllo aparece toda sensual, com uma peruca vermelha e luvas pretas, à lá Jessica Rabbit. Um arraso!  No Brasil, foi capa da Pop-se, aparecendo nas versões homem e drag queen (veja no topo da matéria). Outro arraso!

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O lançamento do próximo EP também está de olho na carreira internacional. Ele terá músicas em inglês, em espanhol e em português. Os ritmos latinos devem estar presentes, bem como a cumbia e o reggaeton, mas Pabllo diz que não vai deixar os ritmos que a deixaram conhecida, que vão do pop, tecnomelody, arrocha e forró. As parcerias ainda não foram confirmadas, mas espera-se que Diplo, líder do Major Lazer, deve estar em algumas das novas músicas. Tudo isso sem contar que estará trabalhando em seu terceiro álbum de estúdio, que deve ir às lojas ainda em 2019.

Ainda é cedo para destacar Pabllo como um fenômeno mundial. Mas de qualquer maneira ela é inegavelmente uma artista que pisoteou as críticas e conquistou muitos méritos, que vão além dos números do Spotfy, que superaram o de RuPaul. É uma lanterna colorida que ilumina um cenário mainstream carente de artistas drags.

Até então, as drag queens até apareciam nos espaços artísticos hegemônicos de sucesso, mas geralmente como divulgadoras de artistas heteroscisgêneros, seja dublando, imitando, performando ou promovendo trabalhos em festas. Hoje, ela estourou a bolha e é o centro das atenções, é a sua voz e é a sua performance que são imitadas, são suas músicas que são tocadas, é o seu look que gera tendência e o seu nome que aparece na festa como a estrela a ser bajulada. Galgou espaço que até pouco tempo jamais seria pensado a uma artista drag queen brasileira, cuja história lá no Maranhão é o retrato de muitas histórias de pessoas LGBT pelo país.

Talvez algum dia lembremos desse texto e de todas aquelas críticas que ela recebeu no início da carreira como uma grande piada, vide aquelas que faziam sobre Madonna ao se lançar nos anos 80. Chocados com o sex appeal e rompendo muitos conceitos moralistas de sexo, Madonna também incomodou. Houve jornalistas que disseram que ela não cantava nada, que não era uma artista e que não passaria do álbum de estreia. E lá se vão quase 40 anos.


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