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Cursando medicina, Thaiz Andrade diz que pretende ser endocrinologista para ajudar outras pessoas trans

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A universitária mineira Thaiz Andrade, de 37 anos, tornou-se notícia após ingressar na faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia e ser uma das alunas do primeiro semestre. Ela é apontada como a primeira mulher trans a entrar no curso da UFBA por meio do sistema de cotas.

Thaiz já foi agente de saúde em Divinópolis, em Minas Gerais, e conta que a vontade de querer se tornar médica é pela possibilidade de atuar na endocrinologia. E, assim, ajudar outras pessoas trans no processo de hormonização.

“Quero ser endocrinologista. Quando estava no processo de hormonização aos 21 anos, não encontrava médicos que atendessem pessoas trans, aqueles que além de nos atender, nos respeitasse. Esse público ao qual eu pertenço torna-se cada dia mais numero e as pessoas se automedicam”, afirma ao G1.

A universitária diz que já escutou pessoas trans dizerem que tomam Perlutan (contraceptivo à base de hormônios) a cada dois dias, sendo que a indicação é de uma vez ao mês. Isso detona o fígado. As pessoas tomam desesperadas em ver logo um resultado. Ele (medicamento) ajuda na redução de pelos, cresce as mamas, mas não pode ser tomado de qualquer jeito”, orienta.

Essa não foi a primeira vez que ela tentou ingressar na faculdade. Há três anos, Thaiz prestou vestibular para a Universidade Federal de Minas, mas não passou por pouco: seis pontos. Ela afirma que o processo de estudo não é fácil, uma vez que não tinha recursos para cursinho, não foi apoiada pela família e precisou conciliar estudo com trabalho.

Agora, com as primeiras cotas voltadas para a população trans e refugiados na UFBA, ela realizou a prova e viu o seu sonho se tornar realidade. Além dela, outras 21 pessoas trans ingressaram nas 88 oferecidas pela universidade pela primeira vez neste ano. A universidade também tem vagas para índios aldeados e moradores das comunidades remanescentes dos quilombos, desde 2004.

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Thaiz agradeceu a todos pela conquista e disse que volta em Minas Gerais em seis anos

O pró-reitor de graduação da UFBA, Penildon Silva, declara que as cotas são m grande avanço. “A universidade renova o compromisso com os Direitos Humanos e dá visibilidade social, demonstrando que 22 pessoas trans querem estudar, quebrando aquele preconceito que as pessoas trans querem se prostituir. O que as pessoas querem é oportunidade e a gente mostrou que quando a oportunidade é dada elas aproveitam”, disse ao G1.

A mineira declara que está sendo bem acolhida pelas pessoas de Salvador, onde estuda. E que espera inspirar outras pessoas trans. “Quero que diante da minha escolha outras pessoas trans se encorajem e voltem a estudar. Acredito que a educação é a maior porta para um futuro melhor para todos”, finaliza.

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