Ir para conteúdo

Como o fato de Ruby Rose se identificar como gênero-fluido causou debate sobre sua escalação para Batwoman

ruby rose

Depois de estrelar filmes como xXx: Reativado, Resident Evil 6: O Capítulo Final e John Wick 3: Parabellum, Ruby Rose vive um novo desafio em sua carreira. Ela interpreta Kate Kane, a Batwoman da nova série da DC, escrita por Caroline Dries e desenvolvida por Bertlanti Productions e Warner Bros. A personagem será a primeira super-heroína lésbica a protagonizar a sua própria série de TV, o que vem rendendo muitas críticas sobre a escalação da artista.

A polêmica se dá porque Ruby tornou-se conhecida como pessoa gênero-fluido – isto é, pessoa que não se identifica necessariamente com apenas um gênero, podendo haver variações em determinado tempo. E, para muitas pessoas, o fato de não se considerar apenas mulher automaticamente a tiraria da categoria de lésbica (mulher que sente atração afetivo/sexual por outra mulher). Sendo assim, Ruby estaria ocupando o lugar de uma atriz que fosse lésbica – deixando de atender a demanda da representatividade nesse momento histórico para a comunidade de mulheres lésbicas.

A justifica dá-se por meio do entendimento que, ao longo da história cinematográfica, artistas publicamente gays, lésbicas, bissexuais ou trans sofreram preconceito e foram preteridos a artistas cis héteros ou que não falavam abertamente sobre sua sexualidade e não levantaram bandeira, mesmo mesmo quando o personagem é gay, lésbica, bissexual ou trans. Nos últimos anos, há um movimento para que tais pessoas consigam ter o protagonismo e reconhecimento tanto na ficção quanto na vida real, sobretudo quando os personagens foram LGBTQI+.

O burburinho foi tão grande que Ruby chegou a falar sobre o assunto em entrevista à Entertainment Weekly. Ela declarou que sua trajetória pessoal e profissional foi a levando naturalmente para se definir como mulher gênero-fluido (sua identidade de gênero), mas que ela também se considera lésbica (sua orientação sexual). As atribuições sobre seu gênero começaram a existir principalmente em 2014, depois que um vídeo seu publicado nas redes sociais viralizou. Ruby aparece tirando o batom, abandonando vestes atribuídas ao guarda-roupa feminino, colocando faixa no peitoral e se vestindo com peças atribuídas ao guarda-roupa masculino.

“Vim para os EUA para ser atriz, e nem consegui um agente ou empresário, então fiz um curta-metragem baseado na minha vida porque tive tempo. Coloquei na internet só para mostrar que era algo que eu queria fazer, e acabou viralizando de forma que eu não esperava. E aí tive a oportunidade de fazer teste em Orange is The New Black, pois queriam uma personagem de gênero neutro. Mas eu também tive preconceito. E é quando você percebe que precisa usar a terminologia”, declara Ruby, que passou a ser conhecida enquanto pessoa não-binária ou de gênero fluido. Ela afirma que, quando eu foi escalada para ser uma mulher lésbica em Batwoman, “não sabia que, sendo mulher gênero-fluido significava que eu não podia ser lésbica, pois não sou mulher”.

A primeira resposta à polêmica foi “pfft”, mas depois começou a refletir. “Espere. Deixe-me entender isso. Como eu corrijo esse erro? Porque se alguém está chateado com isso, eu preciso saber por que e como consertar isso. Foi quando eu disse: ‘Sou uma mulher que se identifica como mulher. Eu não sou trans. Mas se ter gênero-fluido significa que não posso me identificar como mulher a qualquer momento, então acho que não posso ser assim. Talvez eu precise criar outro termo, que não pise em nenhum dedo do pé. Um onde eu possa ser fluida no meu gênero, mas também lésbica, porque senão não tenho certeza do que sou”.

Nas redes sociais, houve quem defendesse que o debate é raso, pois muitos ainda confundem orientação sexual (o desejo afetivo/sexual por alguém) com identidade de gênero (como me identifico). E que a artista tem o direito de se autodefinir como quiser, afinal a linguagem que associa a identidade de gênero à orientação sexual ainda é bastante cisnormativa e binária, criando lacunas, questionamentos e confusões sobre a sexualidade de pessoas não-binárias ou gênero-fluido. Sendo assim, a desinformação e falta de compreensão faz com que pessoas que não fazem parte da binaridade sofram muito preconceito até mesmo dentro da comunidade LGBTQI+. Além disso, a atriz também teria o direito de ocupar o papel de protagonista, pois está preenchendo a lacuna de artistas não-binários ou de gênero-fluido em posição de destaque, trazendo automaticamente representatividade e visibilidade para a causa sobre uma parcela invisibilizada.

Toda a polêmica levantou um debate que até então não havia sido feito com pessoas de gênero-fluido e até o momento não pareceu ameaçar o protagonismo de Ruby na série.

BATWOMAN

Recentemente foi lançado o primeiro trailer de Batwoman, que mostrou a atriz na pele da personagem. Ruby vive Kate que, após ter sido vítima de um crime violento que matou sua mãe e irmã,  é mandada para outra cidade pelo pai, Jacob Kane (Dougray Scott). Ela tem uma personalidade rebelde e é expulsa da academia militar, mas segue os treinamentos aprendidos. Quando a gangue Alice no País das Maravilhas atinge o pai e sua empresa de segurança, ela retorna a Gotham City para combater o crime.

Com a ajuda de sua meia-irmã Mary (Nicole Kang) e de Luke Fox (Camrus Johnson), Kate descobre a Bat-caverna abandonada, modifica o traje um dia usado por Bruce Wayne e dá vida a Batwoman. Ainda que este não seja seu objetivo inicial, ela almeja enfrentar a vilã Alice (Rachel Skarsten) e assim continuar o legado de seu primo desaparecido, Bruce Wayne. As cenas são de muita ação, socos, chutes, figurino clássico e até um romance com uma das moças logo na primeira temporada.

Desde que se posicionou sobre se definir lésbica, Ruby viu as críticas diminuírem significativamente. A escalação foi elogiada até por Greg Rucka, escritor e cocriador da personagem nas HQs. “Não que alguém tenha me perguntado, não importa, mas eu gosto muito de Ruby Rose. A Kate dela vai honrar o trabalho dos escritores”. Nas redes sociais, a artista foi elogiada pela atuação e caracterização. A série tem previsão de estreia neste ano, mas ainda não há data definida.  

E, você, ansioso? O que pensa sobre esse debate?  

Batwoman-Season-1-Key-Art-01

Assista: 


Texto de Neto Lucon e Rafael Sant’s


Acredita que o jornalismo é uma importante ferramenta contra o preconceito?

Apoie o site independente NLUCON e contribua com o financiamento coletivo para quitar os gastos com a produção de notícias, entrevistas e vídeos. Sua colaboração é fundamental para a existência desse site. Clique aqui.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: