Personagens LGBT devem finalmente ganhar espaço no universo Marvel nos próximos filmes

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Sucesso absoluto nas bilheterias, a Marvel Studios vem se preparando para seguir uma tendência e cobrança do mercado cinematográfico internacional: incluir e dar destaque a personagens LGBT nos próprios filmes de super-heróis. A executiva de produção Victoria Alonso declarou à Variety“ que o mundo está pronto” para um super-herói LGBTQ.

Uma pequena participação LGBTQ ocorreu em “Vingadores Ultimato”, o filme de maior sucesso da história da Marvel. Um personagem gay aparece em um grupo de terapia após o estalo de Thanos (Josh Brolin). Ele é interpretado pelo próprio diretor Joe Russo e ajuda a contar como a sociedade vendo lidando após metade dela virar pó.

Ao lado do Capitão América (Chris Evans), o personagem conta que perdeu o namorado e que desde então vem tentando retomar a vida após tantas mortes. Recentemente, após cinco anos, ele marcou um encontro romântico com outro homem e conta que os dois choraram durante o jantar e que apesar do clima triste resolveram dar uma segunda oportunidade. Capitão América o incentiva a persistir e também narra sua trajetória.

Apesar de ser uma cena única e sutil, o personagem pode se desenvolver em filmes futuros. É o que afirmou Joe em entrevista ao EW Morning Live. Após pergunta sobre a sexualidade do personagem, ele diz que “houve insinuações sobre a sexualidade de outros personagens, mas esse é o primeiro gay declarado”. Mas não é possível saber a dimensão da participação, dada a rápida presença em Vingadores: Ultimato e o fato de ser um homem comum.

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Joe Russo viveu papel gay em Vingadores Ultimato

Ele também disse que deve haver outro personagem LGBTQ em um dos próximos filmes. Mas que será o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, o responsável por fazer o anúncio oficial. “Tenho certeza que logo, logo”. Vale lembrar que Feige declarou anteriormente que dois personagens LGBTQ seriam revelados nos filmes da empresa. Um deles já seria conhecido pelo público e outro não, levando o público a acreditar que um dos super-hérois famosos deve se dizer LGBTQ.

QUEM SERÁ?

Diversas especulações surgiram desde então. Alguns fãs apontaram para a personagem Valquíria, interpretada por Tessa Thompson, cujo personagem nos quadrinhos é assumidamente bissexual. Cogitaram até mesmo um romance entre ela, Thor (Chris Hemsworth) e Capitã Marvel (Brie Larson). Mas até o momento, apesar das próprias atrizes brincarem com a possibilidade nas redes sociais, nada foi confirmado.

Dentre os personagens já conhecidos, os fãs também sugerem que são gays os personagens Loki (Tom Hiddleston), que apesar de já ter morrido deve ter a sua própria série no Disney+, Wong (Benedict Wong), cuja história é desconhecida e ainda está em aberto e Bucky Barnes (Sebastian Stan) – que sempre levantou rumores de affair com Steve Rogers, o Capitão América.

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Artistas torcem para que haja trisal entre Thor, Capitã Marvel e Valquíria

O mais provável, contudo, é que um super-herói LGBTQ apareça em “Os Eternos” – longa que fala sobre uma antiga raça que ganhou poderes devido às experiências de uma raça alienígena chamada Os Celestiais. Há quem defenda que o personagem será mais uma vez um homem gay e há até pedidos para que não façam dele uma versão padronizada – forte, branco – criando um novo Capitão América ou Homem de Ferro, só com o rótulo gay. E há quem defenda a inclusão de outras siglas LGBTQI+.

Victoria Alonso fez mistério quanto ao personagem e declarou que “quando estivermos prontos para anunciar algo, vamos anunciar”. Mas soltou: “por que nós não estaríamos comprometidos com a diversidade?”. “Todo o nosso sucesso é baseado em pessoas que são incrivelmente diferentes (e assistem aos nosso filmes). Por que nós iríamos querer ser reconhecidos por apenas um tipo de pessoa? Nossa audiência é global, é diversa, é inclusiva. Se não fizermos isso do jeito certo para eles, nós vamos fracassar”, disse.

Os Eternos será dirigido por Chloé Zhao (“Domando o Destino”) e deve contar com Angelina Jolie no elenco

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Personagem LGBT deve surgir no filme Os Eternos

LACRAR E LUCRAR

As mudanças de atender a demanda de representatividade LGBTQ vem rendendo muitas comemorações, mas também debates e ponderações. Isso porque, ao longo de 22 filmes e 11 anos nenhum personagem LGBT foi apresentado, nem de maneira discreta, nas produções. Ao contrário, os primeiros filmes da Marvel – Homem de Ferro (2008), Thor e Capitão América (2011) – focaram em protagonistas homens brancos, cisgêneros e héterosexuais.

Somente 10 anos depois lançaram um filme com representatividade negra, em Pantera Negra (2018), e 11 anos depois com a representatividade feminina, Capitã Marvel (2019). O diretor Joe Russo declarou que Vingadores Ultimato foi o momento perfeito para incluir um personagem gay, já que “uma das coisas que está empurrando o universo cinematográfico da Marvel pra frente é o seu foco na diversidade”.

Mas o apoio não ocorre apenas porque a Marvel se atentou sobre a importância da representatividade. Atualmente há sobretudo a consciência de que falar de diversidade lacra e… Lucra. Pantera Negra e Capitã Marvel, por exemplo, ganharam, respectivamente, US$ 1,346 bilhão e 1,127 bilhão nas bilheterias do mundo. Marca que nenhum dos filmes individuais dos super-heróis brancos, cis e héteros – Thor, Homem-Formiga, Hulk, Doutor Estranho e Homem de Ferro – atingiram, com exceção para Homem de Ferro 3, que somou US$ 1,214 bilhão.

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Representatividade negra fez Marvel atingir mais de 1 bilhão de dólares em bilheteria


Porém, diferente de Pantera Negra e Capitã Marvel, um filme com personagens LGBTQI+, sobretudo se for protagonista, publicamente exige um posicionamento real sobre diversidade. Isso porque ele pode ser alvo de preconceito, rejeição ou censura, inclusive em países que criminalizam relacionamentos e identidades LGBTQI+.

É só lembrar que a Rússia e China, por exemplo, censuraram as cenas consideradas gays dos filmes Bohemian Rhapsody e Rocketman e até proibiram outras obras. Nestes casos, até a bilheteria poderia ser comprometida e o discurso ir para o ralo. 

Segundo Joe Russo, o desafio de fazer países considerados intolerantes à população LGBT assistirem tais personagens assumidamente LGBTQI+ “torna a experiência ainda mais incrível”. “Como cineastas de uma franquia tão gigantesca, o que estamos dizendo (para as pessoas LGBTQI+) é: ‘Nós apoiamos vocês’”. É aguardar!


Texto de Neto Lucon e Rafael Sant’s


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