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Nany People fala sobre ser destaque em 1ª novela e revela aquilo que a Globo não mostra


Por Neto Lucon
Foto: Marcos Guimarães / Designorama

Nany People, 54 anos, teve recentemente um dos grandes momentos de sua carreira: a primeira novela em horário nobre na TV Globo. Em O Sétimo Guardião, escrita por Aguinaldo Silva, a atriz interpretou a cientista transexual, que passa pela cirurgia de redesignação genital, popularmente conhecida como mudança de sexo, e vai à cidade fictícia Serro Azul para um encontro explosivo e bem humorado com a vilã Valentina (Lília Cabral).

A presença da mineirinha de Machado, “Made in Poços de Caldas” e que se tornou cidadã paulista nos estúdios da TV Globo, no Rio de Janeiro, repercutiu desde o anúncio. Inicialmente a personagem trans seria vivida pela atriz cisgênera Renata Sorrah. Foi após um debate sobre a importância da representatividade trans que a cúpula da Globo decidiu que seria de bom tom que uma atriz transexual ficasse com o papel. Nany fez testes e passou.

Ainda que a novela tivesse seus altos e baixos, e mais baixos levando-se em conta os diversos contratempos motivados por denúncias de traição e baixa audiência, Nany agarrou a oportunidade e brilhou no plim plim. A mídia especializada, bem como o site Notícias da TV, noticiou que a atriz salvou a novela e mostrou que não existe papel pequeno para grandes intérpretes. Resultado: terminou a novela com grande destaque, beijo em dois personagens (Robério /Heitor Martinez e Peçanha/ Felipe Hintze) e final feliz.

Surpresa para alguns, o estouro já era esperado para quem sabe há muito tempo a showwoman que Nany é. Vale destacar que ela estudou interpretação na Unicamp e Teatro Escola Macunaíma e desde 1997 faz parte da história da TV. Integrou o elenco de diversos programas como de Goulart de Andrade, Hebe, Xuxa e A Praça é Nossa. Nos palcos, atua em stand-ups de sucesso, bem como TsuNany, e também foi indicada ao Prêmio Quem de Teatro como Melhor Atriz na peça Caros Ouvintes. Na peça, vivia Ermelinda, uma senhora conservadora e homofóbica. Também fez rádio, cinema, escreveu livro…

Após o fim da novela e de um filme, Nany recebeu o jornalista Neto Lucon, do NLUCON, em seu charmoso e aconchegante apartamento para falar sobre quase tudo que a Globo não mostra, os bastidores da novela  o momento de sucesso e como foi estar no olho do (seu) furacão. Nany afirma que tudo veio na hora certa, pois hoje tem mais maturidade para lidar com a fama, repercussão e convites. Aliás, revelou que surgiram outras duas propostas de trabalho na TV. A entrevista está dividida em três partes.

Confira a primeira parte em texto e vídeo:


– O Sétimo Guardião foi a sua primeira anovela. Como foi a experiência?

Foi maravilhosa. A grande surpresa foi o núcleo em que eu fui apresentada logo na estreia: Tony Ramos, Lília Cabral, Marcelo Novaes, Fernandinha Rodrigues. A história do personagem, do papel, também foi uma coisa inusitada. Trabalhar com a Lília foi um grande presente que tive, porque em 1983 assisti à Peça Feliz Ano Velho, em São Paulo. Fiquei encantada com ela. Lília fazia umas sete personagens e tinha uma enfermeira que ela não falava nada e roubava a cena. Saí do Teatro Augusta falando: “Preciso vir para São Paulo fazer teatro”. Então passei uma vida admirando a Lília. Quando eu fui fazer workshop com ela, eu falei: Lília eu não sei se tomo um copo d’água doce, se rezo um Pai Nosso, se tomo um café ou se chamo o Samu (risos).

– Foi bem recebida?

Fui recebida de braços abertos por todo mundo. Não só pela Lília, não só pelo seu Tony, mas pela equipe técnica, por todos os profissionais, camareiros, produtores, todo mundo. É um tratamento tão inusitado: eles pegam no aeroporto, levam pro hotel, tem carro todos os dias na porta do hotel para levar ao estúdio. É você dar graças a Deus por estar sendo feito o acordo. É um padrão global. Lembro da primeira cena que eu fui gravar com o Tony Ramos. Cheguei muito nervosa – porque eu havia gravado três semanas, sozinha, no estúdio – e falei: “Estou muito agradecida à vida porque é muito importante eu estar aqui”. Como disse aquela nossa miss transexual (Angela Ponce, que concorreu ao Miss Universo): “Não importa se eu vou ganhar ou não, o importante é estar aqui”. O discurso dela ficou ecoando na minha cabeça.

– Chegou a receber alguma dica dos veteranos?

Seu Tony, que é um gentleman, disse: “Minha filha, seja muito bem-vinda, você está sendo muito aguardada, a sua entrada está esperadíssima, você vai acrescentar muito ao roteiro. E pense sempre uma coisa: haja o que houver, traga sempre o texto decorado. Você vai facilitar a vida de muita gente aqui. E haja o que houver: pense sempre nas suas atitudes, porque é tudo pelo dia 30”, que é o dia em que a gente recebe (risos). Então foi maravilhoso.

– Como lidou com a dinâmica de ter um texto novo todos os dias?

O texto foi vindo gradualmente, ganhando cena no decorrer da trama. Chegou um momento em que eu gravava de segunda a sexta com a Valentina e aos sábados eu gravava com o núcleo da Ondina. Gravei muito e foi um aprendizado. Ter que decorar, ter que ter disciplina, de troca de figurino, de saber onde você vindo da história e onde está indo. É um exercício muito grande.  A surpresa maior é que eu havia assinado contrato para cinco meses. Ia ficar de setembro a janeiro, ou seja a personagem apenas passaria pela trama. A empatia foi tão grande com o público, com a trama, que eu assinei uma extensão de contrato e fiquei até o último capítulo. Fechei a última cena do estúdio.

– Como foi interpretar uma personagem transexual que, diferente da maioria das pessoas trans, preferiu manter o nome de registro?

Isso no começo foi um Deus nos acuda. Mas, gente, eu conheço uma trans em Poços de Caldas que não quis mudar de nome. Ela tem o nome de batismo até hoje.

– Mas quando você viu que o nome da personagem era Marcos Paulo você ficou assustada?

Me incomodou no começo. Por ironia da vida, no mês em que eu consegui a mudança do meu nome, 18 anos depois de tentar, eu pego um papel que a personagem não quer mudar de nome. E operada e tudo. É ironia. É pra rir, né? Mas eu ri e me diverti. Eu fiquei muito mais preocupada com a presunção das pessoas de achar e colocar palavras na minha boca. Antes de a novela entrar, o elenco se reuniu para uma entrevista coletiva. Daí perguntaram: “Você pretende militar na novela?”. Não, meu amor, militar eu milito na minha vida. Na novela eu vou atuar. Se com 53 anos, eu não militei eu não tinha que ter chegado até aqui. Aliás, eu só cheguei até aqui porque militei e milito todos os dias quando saio de casa, passo um delineador no olho. Aí estou militando e fazendo jus ao direito do verbo ser, estar, permanecer e ficar. Mesmo que incomode as pessoas, mas eu fico (risos).

Nany People caracterizada como a personagem de O Sétimo Guardião

– Sentiu que as pessoas se incomodaram com isso?

As pessoas se incomodam com isso, porque nessa moral hedonista – eu, meu e para mim – querem que a gente faça o que elas querem para ganhar like. Mas eu não sou youtuber, não sou digital influencer. Não tenho essa preocupação de fazer coraçãozinho, de gravar vídeo. Aliás, odeio essa coisa de gravar vídeo. Você não tem que gravar vídeo para quem você não conhece.

– (hahaha)

A pessoa vem e te chama por outro nome: “Oi, Susana Vieira, grava um vídeo pra mim?” Amor, vídeo não. Eu tiro foto. Vídeo não porque senão fica merchan, de graça. Você manda um vídeo pro churrasquinho, pra padaria. Isso é outra história. O bom da novela ter chegado agora é que veio nessa maturidade, até de idade, de não me deslumbrar. De saber que a minha vida é aqui em casa. De saber que quando fiz o teste eu estava rodando o Brasil afora, como eu rodo hoje. Eu estava em Catalão, quando viram uma entrevista comigo e descobriram que eu sou atriz. Porque o pessoal olha para a gente e acha que a gente saiu do kinder ovo dublando I Will Survive. O pessoal não sabe que você fez Unicamp, Macunaíma, 50 anos nas costas, 30 anos ralando a periquita na rodovia da vida. Acham que a Nany People DO NADA foi fazer novela. Eu estava aqui coçando a periquita e me convidaram para fazer uma novela. Não querida, não é assim. 

– Algo muito bacana é que sua personagem teve par romântico e com direito a beijo…

Isso foi histórico. Não foi só uma vez. Foram duas vezes. A primeira vez foi com Robério (Heitor Martinez). Depois com o Peçanha (Felipe Hintze).

– Achei inicialmente que você fosse ficar com o Robério.

Eu também! Eu achei que o Robério iria comigo para Paris. Pensei que iria lapidar o bofe. Pensei mais: que o Robério ia dar um tombo nela. Por exemplo: foi tomar água e não voltou pra sala (risos).  Aí do nada, uma semana antes de acabar a novela, eu me apaixono pelo Peçanha. Como assim?

– Como você descobriu essa reviravolta na vida amorosa da Marcos Paulo?

O Felipe (ator) me ligou desesperado: “Nany, a gente vai ficar junto. Vai ter uma cena em que o Marcos Paulo vai dar em cima do Peçanha”. Quando eu fui ver a cena, eu falei: “Gente, está bem construída, mas tem tudo para ser bizarro”. Uma trans, um gordo, na cadeia: bizarrice. Vamos fazer com muita sensibilidade, verdade, uma dose de humor que vai ficar interessante. Porque qualquer discurso para ser pertinente tem que ser bem-humorado. Falei: “Felipe, vamos fazer de verdade, orgânico. Vamos ensaiar, vamos coreografar esse atraque, mas a gente só vai beijar no gravando”. Porque senão vai ficar gratuito. Tá todo mundo no estúdio para ver como vai pegar fogo, porque isso mexe com a libido do povo. O texto ficou picante. Ele pergunta: “O que você gosta?”. E eu digo: “Eu gosto de você para pegar, morder, beliscar, assobiar e chupar cana”. Chupar cana fui eu que coloquei (risos). O público adorou. O público comprou a ideia. Eu ouvi do Bruno Gagliasso: Você e o Peçanha foi o único casal que deu certo nessa novela (risos).

– As pessoas gostaram muito desse casal. A minha vó veio me falar que estava torcendo pelo casal…

Sentiram mais de não ter o casamento, porque eu saio e já volto casada. Mas televisão tem aquela coisa também: você grava uma peruca e vai parar um fio de cabelo. É a primeira arte de sobrevivência: desapego. Porque às vezes você grava e não vai passar. É na montagem que conta. No capítulo de estreia da novela, fiquei sabendo que não foi usado 1h30. É muita coisa. É tudo muito primoroso na Globo. É por isso que o mundo todo compra as novelas. Vai ter um jantar, então tem uma mesa exemplar, fartíssima. Tem o primeiro prato, o segundo, a sobremesa. E ao mesmo tempo não dá um take da mesa. Eu decidi colocar um livro na mão do personagem, porque é um químico, é um estudioso, sempre lendo. Aí a direção endossou isso. Passavam dois capítulos e a produção dizia: Esse aí você já terminou de ler, vamos pegar outro. É esse tricô, esse bordado que a Globo não mostra.

Personagem beijou dois e teve final feliz com Peçanha
Personagem de Nany People beijou dois e teve final feliz com Peçanha

– A novela teve altos e baixos, mas alguns críticos disseram que você e a parceira com a Lília Cabral carregaram a novela nas costas. Concorda?

Isso é muito presunçoso falar. A gente teve uma empatia e uma química muito grande, uma combustão maravilhosa. Ela foi muito generosa comigo, mesmo. Nos tornamos amigas, de sair para jantar no Rio e em São Paulo, a gente confidencia coisas. É uma amiga para a vida. Agora falar que levamos nas costas, não. É a tal história, quando você está fazendo a sua história, você está preocupada em sobreviver. Você vai agindo por intuição, instinto, reflexo, autodefesa. Como isso vai ser visto depois é outra história. Cada um interpreta como quer. Esse ano foi muito rico para mim: consegui o título de cidadã paulistana, fiz um filme no ano passado, fiz outro, consegui a conquista do meu nome: Nany People Cunha Santos, consegui uma vaga na garagem o prédio que eu tinha. Ih, consegui um monte de coisas (risos).

– Vi que algumas pessoas ficaram surpresas com o fato de você arrasar na novela. Mas quem te acompanha, principalmente no teatro, sabe que você arrasa…

É porque o teatro é muito artesanal. Às vezes você precisa fazer 10 anos de peça para ter a repercussão que um dia de uma novela dá, no campo de ganhar expectadores e público. Então o teatro é artesanal, embora eu tenha uma vida na TV há bastante eclética. Comecei com o Goulart na Manchete, Amauri na Band, depois o Goulart na Gazeta, depois veio Hebe, maravilhosa, que me apresentou para a sociedade brasileira, depois veio A Praça é Nossa, depois veio o filme de terror A Fazenda, Cante Se Puder, Multishow, Xilindró, Xuxa, escrevi na G 10 anos, fiz rádio 5 anos. Isso tudo deixa o nome no povo. O que eu me orgulho muito é que eu pulei geração. Outro dia parou um cara no aeroporto e pediu uma foto. Achei que ele estava me paquerando, mas não. Ele disse: “Estou muito emocionado porque estou lembrando da minha vó”. Eu achei graça (risos).

– Durante a novela, rolou todo o quiproquó com a Marina Ruy Barbosa, José Loreto e a Débora Nascimento. Mas você teve a conduta de não opinar, falar, se manifestar, comprar briga, como várias outras pessoas fizeram…

Não sou paga pra isso. Não é do meu pecúlio. Uma coisa que eu aprendi com o tempo é que às vezes você pode, mas não deve, e se deve, nem precisa. Eu não preciso me preocupar e me indispor com o achismo alheio. Muitos jornalistas me ligavam e falavam: “Você está aí no olho do furacão”. Mas o olho do MEU furacão era levantar às 5h30 da manhã, tomar banho, escovar os dentes, esperar o café abrir, estudar as laudas do dia, aí às 9h estou maquiando e gravar até 22h. Agora se pegou, se não pegou… Até hoje eu tô querendo saber onde é esse quartinho da suruba. Onde é que você roça que eu caio de joelho? (risos)

– Conseguiu curtir com todo esse processo de gravação intensa?

Sempre. A dor é inevitável, mas o prazer tem que vir também, porque senão, meu bem, não tem sentido. Você se priva de muita coisa. Fui ficar longe dessas crias (as duas cadelas, Naomi e Graça Maria), que eu adoro, ficar longe de casa, sendo que eu sou muito caseira. Você sente meio que sequestrada da sua vida. E ao mesmo tempo os convites começam a vir pelo peso do crachá. Tudo acontece com o crachá, pelo crachá… A vida vira um The Walkin Dead, porque aparecem desde pessoas que sumiram da sua vida faz tempo até pessoas que você nem sabe quem é e fala: Lembra de mim? O bom de ter vindo agora é que eu tenho maturidade.

Mineira e cidadã paulistana, conseguiu aproveitar o Rio de Janeiro?

Fiquei em frente ao mar, em frente à praia por 8 meses, comprei um biquíni e não pisei na areia. Teve um dia em que eu resolvi ir com a Adriana Lessa, mas quando eu cheguei no quiosque para poder ir na areia, pintou a caravana de Machado, minha cidade. Acabou a minha ida para a praia e foi um evento. Tirei foto, batemos papo e foi isso.

– Surgiram outros convites após a novela?  

Vem convite para tudo que você puder imaginar. Mas você tem que saber a dizer não também. Porque às vezes você deixar de fazer algo não quer dizer que você está perdendo, você está amadurecendo. Vieram duas propostas maravilhosas, que depois eu olhei bem e falei: “Muito obrigada, mas não é pra mim”. As pessoas falaram: “Como não?” Porque não seria de verdade. Por que o papel na novela impactou? Porque era de verdade. A gente tinha liberdade até de mexer no texto. O Aguinaldo foi maravilhoso, me deu um texto generoso. A ideia de colocar amapô, usar o pajubá foi minha. Voltando à pergunta, os projetos aventureiros aparecem. Mas o bom de ter 50 é isso. Você sabe que metade da ampulheta caiu, então não pode ficar facilitando. Porque duas coisas matam coroa, tombo e pneumonia (risos).

– Ficou alguma coisa de Marcos Paulo na Nany People?

O Marcos Paulo tem uma coisa que eu não tenho. Ele fazia as coisas para chocar. Quando ele se anuncia para a Valentina, ele diz que é um transgressor. E um transgressor existe para transgredir. Eu não acho que sou transgressora. Ao contrário, eu acho que sou muito tradição, família e religiosidade. Isso choca as pessoas. A Nany choca as pessoas. Dizem: “Ah, a Nany trabalhou na noite 20 e poucos anos, escreveu na G, qual é a boa da noite?”. Ficar em casa, com as crianças, um sagrado coração na parede, um oratório ali, salmo 23 no braço que eu tenho, a tatuagem Made in Poços de caldas, I Love São Paulo…

– Mudou algo na Nany após a novela?

Fui na minha cabeleireira e ela falou: “Que bom sentar com você e ver que você é de verdade e que nunca ostentou”. Mas nem tem motivo. A gente é igual ponteiro de relógio: hoje está aqui, amanhã lá. Agora o pessoal diz: “Você só vai fazer grandes teatros”. Não, vou fazer grandes teatros, mas também vou fazer pizzaria, bar, vou fazer onde o dinheiro está e onde o povo quer me ver. Não tem essa história de falar com assessor. Fala comigo. Então é isso: é não ostentar e saber que tudo é passageiro.

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