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Aos 63 anos, militante trans Sissy Kelly realiza vakinha para reformar banheiro em ocupação

Por Neto Lucon
Foto: Lucas Ávila

Sissy Kelly é uma militante de 63 anos que luta pelos direitos das pessoas trans, idosos, soropositivas e pessoas em situação de rua. Ela informa ao NLUCON que acaba de realizar uma vakinha online para conseguir reformar o banheiro de seu lar, em Belo Horizonte. O dinheiro é para ter luz e água no espaço. Ajude aqui.

“Estou reformando o banheiro da ocupação (Ocupação Carolina Maria de Jesus) onde eu moro, mas estou sem dinheiro. Graças a Deus, aguento subir uns três lances de escada, mas ficar sem água e luz no apartamento é impossível. É por isso que fiz essa vaquinha para poder ficar em um cantinho meu”, declara.

Atualmente Sissy está internada na Casa de Apoio Nossa Senhora da Conceição – espaço que acolhe e dá apoio pessoas com hiv, aids e pessoas pós-alta hospitalar que estão em situação de rua e requer acompanhamento ressocialização. Ela está inclusa na política do idoso.  

A militante declara que assim que conseguir reformar o banheiro voltará a ocupação. “Não é legal ficar hospitalizada. Se você vai para uma ala feminina, não fica bem. Se vai para uma ala masculina, piorou. Isso mostra o quanto é complicado esse momento das mulheres trans na velhice”, afirma.

Passando por alguns serviços assistenciais, ela afirma que é respeitada em sua identidade de gênero, mas que em diversos momentos percebe a transfobia. “Quanto mais você fica mais empoderada mais percebe que o respeito não existe integralmente. As pessoas fazem violações de direitos que elas não enxergam, como ficar chamando de traveco ou dizer que travesti tem pênis grande. Isso mexe com o nosso sentimento e emocional”.

A militante defende a construção de um espaço exclusivo para pessoas LGBT ou para as pessoas trans. “Tem quem ache que isso é segregar, mas eu não acredito. Criar um abrigo para trans e transgêneros é promoção de saúde e cidadania para uma população que não é acolhida. Colocando a gente junta, vamos nos fortalecer. Por mais que a gente brigue, damos as mãos nessa fase”.

Destaque em entrevista no NLUCON em 2016 (lembre aqui), Sissy afirma que é preciso sempre dar visibilidade à população LGBT idosa. “Tem que falar velho, mesmo, pois não temos medo de ser velho. É bom ser velho, pois velho quer dizer que não acabou. Uma roupa velha, bem lavada, é a roupa mais confortável que tem”. Ajude a vakinha da Sissy clicando aqui.   

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Direito, Pride

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