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Jogadora trans Alba Palácios assina com novo time e se consolida no futebol espanhol

Por NLUCON

Alba Palácios, que em setembro de 2018 se tornou a primeira mulher trans a estrear o futebol feminino da Espanha, está com algumas novidades em sua carreira. A primeira é que, um ano depois, ela não está mais no time Las Rozas, de Madri. Outra é que ela já assinou com outra equipe.

Atualmente, a jogadora de 34 anos é membro da equipe Samper e está bem animada em vestir a camisa do time. Nas redes sociais, ela comemorou a decisão e falou que está sendo muito bem recebida pelas colegas, técnicos e funcionários neste momento.

“Muito grata pela acolhida no meu novo clube, Sammer. Nova equipe, nova divisão, mesmo objetivo: trabalhar e dar apoio à equipe. Obrigada pela oportunidade”, escreveu ela, que divulgou uma foto do momento em que assinou com o novo time e com a nova camisa.

Jogadora desde os 10 anos, Alba jogou até os 24 anos pelo Pozuelo de Alarcón, da terceira divisão masculina. Ela voltou ao futebol aos 32 anos, no time K2, do município de Majadohonda, também em uma equipe masculina. Foi há quase três anos que ela revelou ao mundo que é uma mulher trans, depois de um longo processo de autoaceitação, pela terapia hormonal e viu tudo mudar.

Alba Palacios jogou pelo Las Rozas (Emilia Gutiérrez)

MACHISMO NO FUTEBOL

Com acompanhamento médico desde 2017, a esportista passou pela homonioterapia e logo começou a perceber e a lidar com as transformações de seu corpo. Algumas que a faziam se sentir melhor com a própria identidade, bem como o aumento gradativo dos seios, menos pelos e contornos atribuídos ao feminino. Por outro, enfrentava mudanças drásticas em sua performance como atleta, bem como perda de massa, densidade óssea, força e velocidade.

Foi quando ela deixou o futebol masculino, que não condizia com sua real identidade de gênero e possuía desvantagens aos atletas homens, e teve pela primeira vez oportunidade de ingressar no futebol feminino. Para isso, ela teve que atender aos critérios exigidos (bem como ter controladas as taxas hormonais) pelo Comitê Olímpico Internacional.

No Las Rozas, Alba fez história na Espanha como a primeira mulher trans a entrar em uma equipe feminina. Recebeu muitos comentários negativos e preconceituosos, levantou o debate sobre a importância de se incluir atletas trans e também contou com o apoio de grande parte da torcida, das colegas de sua equipe e até adversárias.

Segundo a atleta, a repercussão negativa já era esperada, pois há muito machismo de todos os lados. “O futebol é muito machista. Há uma grande brecha entre o masculino e o feminino, tanto na imprensa como na questão salarial. Quanto gays existem no futebol masculino? Quando uma seleção feminina ganha um Mundial, não é manchete das notícias esportivas”, pontua.

NOVO MOMENTO

Na última semana, Alba mostrou que conseguiu driblar o preconceito e se estabelecer no futebol feminino espanhol. No Samper, ela está totalmente integrada à equipe na pré-temporada de futebol e divulgou as fotos dos bastidores do jogo. Segundo Alba: “o início da pré-temporada tem muita concentração”. “Ansiosa para fazer as coisas direito com minha nova equipe”, continuou.

Outra comemoração se deu recentemente porque a atleta conseguiu fazer a retificação da documentação oficial, tendo o então nome social reconhecido legalmente e o gênero feminino registrado na documentação.

“Finalmente ele (documento veio). Para continuar curtindo a vida sem dar mais explicações ou passar por vergonha. Finalmente me vejo refletida na minha identidade. Haverá muitas pessoas que não entenderão, mas para mim é uma libertação”, pontuou.

Nas redes sociais, Alba também procura passar mensagens motivacionais e reflexivas. Em uma foto em que aparece com uma bola de futebol na mão, ela diz: “É mais forte quem mais sorri”. Em uma entrevista, disse: “Lutem por seus sonhos, não deixem escapar a oportunidade de viver como eles são e como eles querem. Até porque a vida é muito bonita, só se vive uma vez”.

Retrato de um momento muito feliz e mais leve para a jogadora.

Um comentário em “Jogadora trans Alba Palácios assina com novo time e se consolida no futebol espanhol Deixe um comentário

  1. Ai, eu sempre vou dizer: eu amo reportagens assim! ❤

    E sim, futebol é machista! Aliás, como dizem, o futebol sendo "um esporte de cavalheiros jogado por selvagens" encarna profundamente a selvageria do macho, que não é homem, no sentido de gênero, e sim a penas um veículo selvagem da propagação da masculinidade tóxica.

    Muito bom falar também das mudanças com TH pois, uma TH correta, basicamente a mudança das proporções de testosterona e estradiol, muda, não só todo o espectro hormonal, como também as características físicas para muito além da estética. Mudanças de todas as formas sobre massa óssea, muscular, vigor muscular, oxigenação…

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