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Mulher cis descobre condição intersexo e relata luta para engravidar e dar à luz gêmeas

Por NLUCON

Quem vê Hayley Haynes, 28 anos, com as filhas gêmeas recém-nascidas nem imagina toda a luta que ela teve para engravidar. O sonho parecia impossível, haja vista o diagnóstico que recebeu há nove anos: ela era uma mulher cisgênera com condição intersexo.

No caso, ela possuia uma vagina, possuia cromossomos XY e não possuia órgãos reprodutores internos como útero, ovários e trompas de falópio, uma condição intersexo que a distaciava da possibilidade de gerar e dar à luz seu próprio bebê, informa o The Mirror.

A descoberta ocorreu porque aos 19 anos ela ainda não havia menstruado, apesar de passar por outros sinais da puberdade. Ela virou meses visitando hospitais e realizando exames de sangue, até que os médicos deram o diganóstico: síndrome de insensibilidade ao andrógeno, que impossibilitou o desenvolvimento dos órgãos internos.

Quando escutou suas características, Hayley lembra que ficou um bom tempo se olhando no espelho, tentando entender o que acontecia com ela. “Eu me senti meio mulher e fiquei envergonhada. Como eu ia dizer a um cara que eu era geneticamente masculina quando começasse a namorar?”, se perguntou.

Mas um romance e um relacionamento não foi o problema. Hayle namorou e se casou com Sam, seu amigo desde os 16 anos, que a aconselhava nos momentos de dúvida. “Eu disse a ela que qualquer homem a desejaria se ele valesse à pena. Na época, eu disse isso comigo amigo e é muito romântico que aquele homem se tornasse eu”.

Melhor amigo se tornou namorado e pai de suas filhas

Glossário:

Mulher Cisgênera: pessoa que foi designada mulher ao nascer e que se identifica com o gênero feminino atribuído. É o caso da Hayley.

Mulher trans: pessoa que foi designada homem ao nascer, mas que se identifica com o gênero feminino e é uma mulher

Intersexo: É a pessoa que possui algum tipo de variação nos caracteres sexuais incluindo cromossomos, gônadas e / ou órgãos genitais, rompendo com a divisão binária (feminino/masculino ou macho/fêmea) ou criando um espectro entre os dois no que se refere a biologia dos corpos.

ESPERANÇA

Em 2007, um novo especialista no Royal Derby Hospital conseguiu ver um útero minúsculo perdido nas análises anteriores. “Foram apenas alguns milímetros, mas foi um começo. Ele estava otimista que iria crescer. Eu ainda não conseguia conceber naturalmente, mas poderia ter a opção de fertilização in vitro”.

Ela passou a tomar comprimidos de hormônios para dar a ela níveis elevados de progesterona e estrogêneo. Com isso, eles a impediriam de sofrer osteoporose e criariam um ambiente onde seu útero poderia crescer.

Hayley afirma que, apesar de cogitar a adoção, ela sempre quis que o bebê fosse o mais próximo possível do casal biologicamente. Haveria uma doadora de óvulos anônima e o esperma de Sam.

Em 2011, Hayley foi informada que seu ventre estava pronto para a fertilização in vitro. Mas a comemoração quase parou quando ela descobriu que a fertilização in vitro não seria financiada pelo hospital. “Primeiro, descobri que não podia ter filhos, depois me disseram que sim. Agora eles estavam nos negando a ajuda que precisávamos”.

GRAVIDEZ

Em abril, eles viajaram para realizar o procedimento. Para a fertilização in vitro eles gastaram 10.500 libras – mais da metade de suas economias.

“Eu estava tão nervosa. Tínhamos apenas uma chance e não podíamos dar ao luxo de passar por tudo de novo. Eu queria desesperadamente ser mãe e sabia que se não houvesse óvulos viáveis ou se o implante não tivesse sucesso, nada daria certo”, lembra.

Dos 13 óvulos colhidos, apenas dois eram viáveis. Eles foram implantados e Hayles passou 10 dias descansando. As chances eram de 60% de engravidar e ela teria que esperar duas semanas para fazer o teste de gravidez. Mas a ansiedade foi tão grande que após 10 dias ela fez o teste e ele deu positivo. “Eu estava tão nervosa que tremia da cabeça aos pés”.

Nos exames de seis semanas, ela teve um choque ao descobrir que estava grávida de gêmeas não idênticas. “Eu não podia acreditar. Eu enlouqueci, mas estava na lua ao mesmo tempo. Eu tive a chance de ter uma família completa”. Sam acrescenta: “Senti-me entorpecido de emoção. Eram duas pelo preço de uma”.

DAR À LUZ

As primeiras 12 semanas foram muito estressantes, pois havia chance de Hayley ter um aborto. Tudo ficou ainda pior quando ela esqueceu de tomar a medicação. “Eu estava chorando e pensando que tinha estragado tudo”.

Na véspera de Natal, ela deu à luz Avery e Darcey. Emboras elas fossem prematuras, as garotinhas estavam saudáveis. “Ser mãe foi o momento mais incrível da minha vida. Quando segurei os bebês nos braços pela primeira vez fiquei impressionada”.

“Passei nove anos aceitando o fato de que isso nunca poderia acontecer, mas naquele momento toda a dor simplesmente desapareceu”, afirma ela, que chama as filhas de “as meninas mais bonitas do mundo”.

Ela afirma que gastou muito para realizar o sonho de ser mãe e ter suas bebês e que, além das carteiras estarem vazias, estão emocionalmente exaustos. “Mas eu faria de novo em um piscar de olhos por um abraço com minhas garotas”, finaliza.

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Realidade, Saúde

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