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Pabllo Vittar é eleita uma das “líderes da próxima geração” pela revista Time

Por Neto Lucon

Pabllo Vittar, 24 anos, foi eleita nesta quinta-feira (10) como uma das líderes da próxima geração pela badalada revista norte-americana Time. A cantora, drag queen e brasileira ganhou o título ao lado de outros nove jovens cujos trabalhos trazem impactos mundais na música, literatura, redes sociais, pesquisas e outras áreas.

De acordo com a publicação, Pabllo é uma “pop star brasileira” que “está fazendo tempestade no mundo pop” e que “se consolidou como alguém a ser notada em vários aspectos, integrando perfeitamente sua vida pessoal ao cultura e político e usando seu alcance de estrela mundial para exigir igualdade para as comunidades LGBT do Brasil e de outros países”.

A revista contextualizou a ascensão da drag queen brasileira num país com altos índices de LGBTfobia. “Em 2018, 420 pessoas da comunidade LGBT foram mortas, incluindo Marielle Franco, uma vereadora negra, lésbica e feminista do Rio de Janeiro/ Jean Wyllys, um deputado federal gay, renunciou ao cargo devido a repetidas ameaças de morte. Para completar, Jair Bolsonaro foi eleito presidente; o político é um homofóbico assumido que afirmou que ‘preferia que o filho morresse em um acidente de carro do que fosse gay”.

Por conta do presidente e de tentativa de deixar o Brasil mais conservador e preconceituoso, Pabllo admitiu que às vezes sente muita vergonha de ser brasileira. “As pessoas estão morrendo. As pessoas estão tendo suas casas e direitos retirados”, pontuou sobre as ações do governo em menos de um ano. “No Brasil, ser artista LGBTQ é matar um leão a cada dia. Todo dia você tem que se provar que pode e mostrar pras outras pessoas isso”, afirmou.

Vale lembrar que em maio deste ano, Pabllo rebateu as declarações de Bolsonaro. Na ocasião, o presidente disse que o “Brasil não pode ficar conhecido como o paraíso do mundo gay, pois temos famílias”, mas “quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”. A artista debochou: “Baby, ele chegou atrasado, porque o Brasil é paraíso gay muito antes de eu nascer”.

A cantora falou ainda sobre a responsabilidade de trabalhar para as próximas gerações: “Não é só a arte drag, não é só ser artista LGBTQ. Acho que a gente tem uma causa social muito grande, muito importante aí por trás, para mostrar para essas novas gerações que elas podem, sim, ter voz ativa e podem fazer o que elas quiserem”.

Dentre os sonhos que revelou para a carreira, Pabllo disse que pretende continuar levando a mensagem de aceitação e também faturar bons prêmios. “Quero continuar indo em lugares que ainda não fui, que precisam dessa mensagem, desse brilho, desse conforto. Continuar fazendo minha música, levando essa mensagem e, quem sabe, até ganhar um Grammy”.

A lista ainda conta com os nomes de do blogueiro russo Alexander Gorbunov, que faz oposição ao presidente Vladimir Putin, a desenhista marroquina Zainab Fasiki, que faz histórias em quadrinhos de crítica ao machismo e misoginia, Amanda Johnstone, criadora de um aplicativo sobre saúde mental e o rapper britânico Stormzy, que luta contra o preconceito.

Categorias

Pop e Art, Pride

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