Casa do Comum acolhe ciclo de cinema queer dedicado a sexualidade, identidade e liberdade admin Maio 30, 2026

Casa do Comum acolhe ciclo de cinema queer dedicado a sexualidade, identidade e liberdade

Entre os dias 10 e 14 de junho, a Casa do Comum, em Lisboa, recebe o ciclo Cinema Queer – Sexualidade, Identidade e Liberdade, uma iniciativa promovida pela produtora Zero em Comportamento. O programa propõe uma viagem cinematográfica centrada nas experiências LGBTQIA+ e nas múltiplas formas de expressão da identidade, reunindo obras que atravessam diferentes países, gerações e linguagens do cinema contemporâneo.

A seleção inclui longas e curtas-metragens que cruzam documentário e ficção, explorando temas como a construção da identidade, o desejo, a liberdade e a resistência a categorias fixas. A abertura do ciclo está marcada para 10 de junho com As Fado Bicha, seguindo-se Young Hearts no dia 11, bem como Limiar e As Melhores Amigas. O encerramento acontece a 14 de junho com As Lições da Peaches, fechando um percurso que procura refletir diferentes dimensões do universo queer através da linguagem cinematográfica.

Para além das sessões principais, o programa integra também blocos dedicados ao cinema queer português mais recente, com exibição de curtas-metragens acompanhadas pela presença de realizadores. Este formato reforça a ligação entre criação artística e público, promovendo o diálogo direto entre quem produz e quem assiste, num contexto de partilha e debate.

Alguns dos filmes incluídos já passaram por festivais e circuitos culturais em Lisboa, como o IndieLisboa, no caso de As Fado Bicha, ou por estreias recentes no panorama nacional, como Young Hearts. Esta circulação prévia demonstra a crescente presença do cinema queer tanto em espaços alternativos como em festivais de maior visibilidade.

A iniciativa assume-se como mais do que uma simples mostra de cinema. A curadoria aposta numa abordagem que entende o cinema como espaço de reflexão social e política, onde histórias individuais se tornam também formas de questionar normas sociais e estruturas de poder. As obras selecionadas exploram diferentes formas de viver a identidade queer, desde processos de descoberta pessoal até experiências de afirmação e resistência.

Ao mesmo tempo, o ciclo destaca a importância do cinema como ferramenta de visibilidade, permitindo que narrativas frequentemente marginalizadas encontrem espaço de expressão pública. Este movimento contribui para ampliar o debate em torno da diversidade e para desafiar representações tradicionais de género e sexualidade.

Outro ponto sublinhado pela programação é o crescimento do cinema queer português, evidenciado pela presença de novas vozes e projetos emergentes. A inclusão de sessões com realizadores reforça esta tendência, permitindo não apenas a exibição das obras, mas também a contextualização dos processos criativos por trás delas.

Ao longo de cinco dias, a Casa do Comum afirma-se, assim, como um espaço de encontro entre cinema, pensamento crítico e comunidade, acolhendo um ciclo que procura dar visibilidade a diferentes formas de existência e experiência, através da linguagem artística.